terça-feira, 20 de dezembro de 2011

ESPECIAL: Uma cena inesquecível...


Por Lucas Nobre


“A favorita” no “Pantanal”
Toda vez que me perguntam qual foi a cena inesquecível em telenovelas no Brasil entre os 28 anos que eu consegui acompanhar de um total de seis décadas de existência do gênero, sempre respondo que é a morte de Gonçalo (Mauro Mendonça) em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro. Essa eu vi no momento da exibição. Lembro que em 12 de dezembro daquele ano, eu estava visitando o apartamento de uma de minhas irmãs em Pelotas (RS). A conversa rolava solta mesmo com a TV ligada, como é costume se fazer em muitos lares brasileiros. De repente, silêncio. Todo o foco estava na televisão e nesta cena.  

Lembro que teve gente que se retirou da sala porque não aguentaria ver tamanha crueldade. Já eu estava ali, fascinado com aquela imagem que não estava lá essas coisas. Mas dava para notar - mesmo com baixa qualidade do sinal aberto - que a fotografia não era costumeira, a tensão era diferente, a trilha de arrepiar, o duelo de talentos entre Mauro Mendonça e Patrícia Pillar (Flora) era histórico e aquele ar cinematográfico se estendendo por mais de sete minutos era um momento ímpar na nossa teledramaturgia.  Não consigo ver defeito nesta cena.  O que dizer do tango no final? ANTOLÓGICO!

Só que quando se pergunta cena inesquecível, geralmente quer-se ter uma resposta de alguma sequência que tenha gerado risos, lágrimas ou “toma desgraçado!”. Bem improvável que alguém vai dar uma resposta como a minha, de fascínio e medo. Vou satisfazer quem segue essa linha. Por isso resolvi voltar um pouco mais no tempo e escolher uma que marcou a vida de muita gente. Era um jeito diferente de fazer novelas que quem viveu, não se esquece: Pantanal (1990), da extinta TV Manchete. Na realidade eu vi uma das reprises, pois sou do tempo que os pais ainda colocavam limites na programação televisiva dos seus filhos.

As cenas finais são daquele tipo “para chorar e se atirar no chão”. Digo isso porque esse link está na minha barra de favoritos e não tem vez que eu não olhe e não fiquei com um nó na garganta. Trata-se do fim da da missão do misterioso Velho do Rio (Cláudio Marzo), quando ele se transforma em jibóia logo depois de passar a “capa” para a alma de seu filho Zé Leôncio (Cláudio Marzo) para que ele continue protegendo sua família. A mensagem final escrita pelo autor Benedito Rui Barbosa continua tão atual como naqueles tempos. Preparem os lenços e fiquem longe do teclado.    

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