quinta-feira, 12 de abril de 2012

AVENIDA BRASIL: Mocinha Classe A X Vilã Classe C


Por Bruno Oliveira
Luz, Câmera, Ação!...O Filme está no ar!..Oops! A novela...     

     Imagine a empregada doméstica, ex - moradora de um lixão, dar pitacos sobre moda, faz pratos ultra- finos e além disso conhece a história de como o mesmo foi inventado, voltando no tempo, séculos atrás. Agora, imagine a Socialite que adora uma cerveja bem gelada, picadinho de carne e ainda agradece a Deus por suas conquistas....Imaginou?.
     É fácil de imaginar quando pensamos em João Emanuel Carneiro, o autor de “A Favorita”, que em “Avenida Brasil” embaralha conceitos, méritos, valores, ideias de pertencimento e recicla paradigmas tão obsoletos em nossa sociedade, característica do autor. Aqui vale dizer os argumentos: “Nem toda mocinha é ingênua, nem todo vilão é caricato”. “Nem todo rico é inteligente e feliz por ter dinheiro ao passo que nem todo pobre é bonzinho e merecedor de algo só porque fez por onde”. Olhemos para nossas próprias vidas, nossos erros e acertos, olhem apara a realidade como ela é e não como ela deve ser. E digo mais, não crie expectativas sobre o destino dos personagens, pois cairá por terra.
     É como se nossas realidades fossem recortadas com linhas tênues por uma tesoura com pontas, ora pode ferir ora sangrar. E esta tira de realidade  sugada pelos filtros da TV e reproduzidas  em nossos lares, nos faz não só ver a nossa própria vida mas também criar novos destinos, afinal, é novela ...E você pode sonhar!.
    Com um elenco bem eclético e muito bem dirigido (refletindo diretamente nas atuações), passando por um Murilo Benício a lá Ronaldo Fenômeno (ator fora do peso) a uma espetacular filha de Nazaré (Senhora do Destino) , só que “mais humanizada”, Adriana Esteves  que vive Carminha. A trama é uma colcha de fios bem entrelaçados, a história de um personagem que esbarra no outro, ora por acidente ora intencionalmente, criando um verdadeiro jogo de dominó, ganha quem tiver sorte e ser um bom jogador.
    Ah! Uma atenção redobrada para a fotografia desta novela. Como eu já imaginava, João Emanuel Carneiro – Filho do Cinema -  ora roteirista, ora colaborador, passeou por: Central do Brasil, Castelo Rá-Tim-Bum, Orfeu, Cristina quer Casar, Dona da História, entre outros- temos em Avenida Brasil a Conjugação perfeita da Técnica traduzida pela iluminação e a própria Arte dos cenários (obs: só deixa a desejar o “castelo Medieval” de  Carminha, acho Over e Caricato para uma vilã tão “humana”). A questão estética da novela, refinada e muito bem produzida contrasta com seu próprio enredo que tem como público-alvo: A Classe C e a trilha sonora embalada pelo ritmo Kuduro. Pra mim, o ponto chave e enriquecedor da novela, percebe que a trama vai muito além de sua própria história?...É uma composição feita por diversos fatores!...

   
 A Crítica da Crítica:
    Sob o e seguinte enredo: “A protagonista, perdeu a família e caiu em ruína quando era criança. Foi parar em um lixão, mas acabou adotada por uma família rica, com quem foi morar no exterior. Adulta, ela retorna para se vingar de quem a fez sofrer no passado, no caso a grande vilã da novela.” Até ai, todos nós já sabemos, mas a questão é que este enredo de Jovem em busca de vingança acabou caindo na boca dos críticos que compararam com a série americana “Revenge” lançada ano passado.
     Pois bem, Mas da onde saíram estes críticos? Quando nasceram? Qual a parte de “Na TV, nada se cria, tudo se copia”, eles não entenderam?.Acho que a questão vai além, qual  problema de ser igual? Existe algum tipo de legislação específico para isso?... Vale lembrar que temos diversos exemplos como este de Avenida Brasil e Revenge.
     Novela Os Inocentes da TV Tupi: “Juliana volta rica e poderosa a Roseiral, de onde saiu quando criança. Sua meta é sacrificar os culpados pela morte de sua mãe”. Ou até mesmo, a recente, Insensato coração: A trama de Norma, que era uma mulher que queria se vingar de Léo, personagem que a fez mal. 
   Enfim, o que deve ser notado não é só a questão da semelhança, mas também a perspectiva da abordagem do autor sobre aquele personagem e o contexto ao quais os personagens estão inseridos, afinal, espaço e tempo conjugados um com o outro influenciam totalmente no desenrolar de uma trama, e isso não é de hoje. 
    Agora, peguem a pipoca e se acomodem no sofá porque o Filme.. oops! mais um capítulo da novela, já vai começar!... Vem gente, dançar com Tudo!

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