quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Cabide Fala entrevista Ricardo Linhares, autor de "Saramandaia"

Nosso entrevistado dispensa apresentações, Ricardo Linhares já esteve em um de nossos profiles, que foi respondido de forma tão saborosa como essa entrevista, pra quem ainda não viu clique aqui! No papo que ele teve conosco, conta detalhes de suas parcerias com autores, diretores, como se escala um elenco e mais detalhes, por exemplo: de como queria contar com Lilia Cabral em Saramandaia. Ele, assim como nós, também está ansioso pela trama que começa na próxima segunda, vamos parar de enrolação e ler??
Rodrigo Ferraz: Não é de hoje que você quer fazer Saramandaia, é a única novela que te motiva a fazer um remake?
Há apenas mais duas novelas que eu gostaria de recriar. Mas, infelizmente, não posso contar quais são...


Rodrigo Ferraz: O elenco mescla atores consagrados com ótimos atores ainda não consagrados, você ajuda a escolher seus elencos? Tinha algum ator  ou atores que você não abriria mão de trabalhar nessa trama??
O elenco é montado em inúmeras reuniões. Eu, a Denise, o Fabrício, a Ciça Castello (produtora de elenco), nossos assistentes, enfim, é um trabalho em conjunto. E os nomes são submetidos à direção da emissora. Nada, em novela, é decidido isoladamente. Aliás, nada em televisão. Tudo é sempre criação e decisão coletivas. Desde o início, foi nossa proposta lançar um pessoal jovem. Por lançar, não quer dizer que sejam atores que estejam fazendo o primeiro trabalho. A maioria tem experiência. Mas está tendo agora a oportunidade de viver personagens de mais destaque, como o Sérgio Guizé e a Chandelly Bráz, entre outros. O personagem da Lilia Cabral (Vitória Vilar) não existia na primeira versão. Portanto, também não existia a história de amor entre Vitória e Zico Rosado (José Mayer), que é o fio condutor da trama atual, juntamente com a guerra pelo poder entre as duas famílias rivais, os Vilar e os Rosado. Eu criei a personagem especialmente para a Lilia. Na minha história, sem a Lilia não haveria novela.


Fábio Dias: Você em parceira com Aguinaldo Silva e até mesmo só, escreveram inúmeras novelas de realismo fantástico. Mas já tem anos que a Rede Globo não investe mais em tramas assim. O próprio Aguinaldo já afirmou que o público não quer mais ver esse tipo de novela. Você calculou o risco em retomar o realismo fantástico em momentos que o público parece não se interessar pelo tema?
É um risco tremendo. Manoel Martins foi ousado em aprovar o projeto. Estou com o maior frio na barriga. Apesar de eu ter experiência em novelas de realismo fantástico, a maioria escritas com o meu querido mestre Aguinaldo, cada trama é uma nova experiência. A última novela do gênero foi “Porto dos Milagres”, que nós escrevemos em parceria. Hoje em dia, o público quer ver a realidade na telinha. Minha primeira ideia de fazer um remake de “Saramandaia” tem mais de 8 anos. Na época, o único horário de remakes era às 18h. Quando eu li o material que restou da novela do Dias, vi que não havia trama com fôlego para uma novela de tamanho convencional (cento e tantos capítulos), e muito menos o estilo seria adequado ao horário, por ter uma pegada política crítica e irônica que não é do interesse do público das 18h. Só reapresentei o projeto quando a Globo abriu o horário das 23h para remakes de clássicos da teledramaturgia. Foi aprovado imediatamente. A trama atual é uma novela de curta duração, e num horário tardio. Nesse caso, acho que vale a aposta na ousadia. “Saramandaia” inova em forma e em conteúdo. Tem um vocabulário próprio, que remete ao que o Dias começou a fazer em “O bem-amado”, e também o que eu vou inventando no momento de criar os diálogos. Muitas palavras nem existem. Nós inventamos na hora de escrever. Os personagens não são nada parecidos com os tipos naturalistas a que o público está acostumado. É um resgate da imaginação e da fantasia. Mas, enfim, é preciso arriscar para se ter algo de novo.  


Rafael Barbosa: Existem algumas pessoas que acreditam que o horário das 23h, até agora destinado a remakes, seria melhor aproveitado se fosse usado para levar ao ar também novelas inéditas, onde, com a liberdade proporcionada pelo horário, se pudesse ter uma maior ousadia e experimentar coisas novas. O que acha disso?
Eu não entendo o preconceito que algumas pessoas têm contra os remakes. É a história da telenovela brasileira que está sendo apresentada às novas gerações. Por que privá-las de conhecer personagens que gerações anteriores curtiram? Os remakes são esporádicos, não ocupam um espaço tão grande na programação. Quem não assistiu à “Saramandaia” na primeira versão está condenado a só ver os trechinhos disponíveis na internet? Fazer um remake de telenovela é o mesmo que remontar a peça “Romeu e Julieta”, a ópera “La Traviata” ou filmar uma nova versão do livro “O Grande Gatsby”. “Homeland” e “Sessão de Terapia”, por exemplo, são versões americanos de seriados originais israelenses. O fato de serem remakes diminui as suas qualidades? Acredito que não. Imagina se, no teatro, as pessoas reclamassem cada vez que remontassem “O pagador de promessas”, do Dias? Ou “Vestido de noiva”, do Nelson Rodrigues? São clássicos. Só poderiam ser montadas peças inéditas? Por que com a telenovela é diferente? Imaginem se Ivani Ribeiro não tivesse escrito os remakes de “A Viagem” e de “Mulheres de Areia”? São duas novelas ótimas, que eu tive o privilégio de assistir nas duas versões. Sem os remakes, o público não teria tido essa oportunidade.


Rodrigo Ferraz: Denise Saraceni, Dennis Carvalho, Marcos Paulo entre outros já dirigiram tramas suas, como é a sua relação com os diretores das suas novelas??
Talma, Paulo Ubiratan... O queridão Fabrício Mamberti! Tantos amigos! Sempre tive uma relação de companheirismo e cumplicidade com os meus diretores.


Rodrigo Ferraz: Ricardo Linhares já escreveu pra teatro e cinema? Se sim, conte pra nós como foi, se não, tem vontade de contar algum projeto que ambiciona??
A TV ocupa todo o meu tempo. Eu trabalho sem parar, estou sempre emendando projetos. Quem sabe um dia, quando eu me aposentar da telinha, escrevo uma peça de teatro?

Com Gilberto Braga
Rodrigo Ferraz: A maioria dos seus trabalhos na TV foram em parceria, quais são as vantagens e desvantagens de escrever assim?
Tive ótimos parceiros, escritores talentosos e grandes amigos, como Aguinaldo, Gilberto e Ana Moretzsohn. Não consigo apontar nenhuma desvantagem no trabalho em dupla. Só vejo coisas boas, como a soma de ideias e a divisão das tarefas e responsabilidades. Além do prazer da convivência e da troca profissional e pessoal.


Rafael Barbosa: Você teve parcerias de sucesso ao longo de sua carreira, principalmente com Aguinaldo Silva e Gilberto Braga que possuem estilos bem distintos. O que ficou dessas parcerias além do aprendizado? Que características da obra desses autores você trás para o seu universo fictício?
Tive muita sorte por ter sido parceiro diversas vezes de Aguinaldo e Gilberto. Além de telentosíssimos, são duas pessoas generosas. Os dois, por sua vez, foram parceiros, junto com Leonor, na obra-prima que é “Vale Tudo”. Com eles, eu aprendi a escrever novela, a trabalhar em equipe, a escaletar, a alternar histórias, sentir o pulso da narrativa, a deslanchar tramas e a segurar outras, esperando o momento certo de soltá-las. Não sei fazer uma análise muito precisa; a base do meu trabalho é intuitiva. Ambos são criadores despudorados, o Aguinaldo tem o traço forte do humor, o Gilberto do melodrama. Eu absorvi um pouco de cada e também dei as minhas contribuições.


Rafael Barbosa: Você supervisionou o grande sucesso Cheias de Charme, de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. A que você atribui o sucesso da novela? E como supervisor, qual foi sua maior contribuição para trama?
Os dois já haviam trabalhado comigo diversas vezes. Filipe e Izabel são talentosos, criativos, responsáveis, inteligentes, antenados, trabalhadores incansáveis. Atribuo o sucesso da novela ao enorme talento da dupla. Por trabalhar muito em parceira, eu encaro o papel do supervisor como mais um membro da equipe. Acho que o supervisor deve ser invisível. O que deve sobressair é o estilo dos autores titulares. Estive ao lado deles do início ao fim, sempre que precisaram de mim.



Fábio Dias: Já existe algum projeto ou escala para o retorno ao horário nobre com Gilberto Braga? Já tem alguma história em mente? Pra quando seria?
Eu caminho um passo de cada vez. Não gosto de planejar o futuro. Existem vários projetos, claro. Mas não é hora de falar sobre isso. Por enquanto, estou totalmente absorvido saramandando.

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