segunda-feira, 28 de outubro de 2013

CINEMA: A espuma dos dias, um jeito surreal de falar da vida (e da morte).




Por Júnior Bueno

Fazer uma resenha de um filme sem ser demasiadamente parcial é um trabalho e tanto. Digo isso porque quero muito recomendar o filme A espuma dos dias, mas neste momento, quatro dias depois de assistir, ainda estou profundamente tocado com o que filme de Michel Gondry. A história, adaptada do romance homônimo de Boris Vian, é, resumidamente assim: um homem solitário se apaixona por uma moça adorável e após breve namoro e casamento, descobrem que ela possui uma flor crescendo em seu pulmão. (Sim, essa é uma metáfora para um tumor. ) Parece simples - e é - mas falar de amor e de morte, ou a iminência da morte, nunca é simples.



Colin e Chloé, o casal protagonista é vivido por Roman Duris e Audrey Tatou (Amelie: <3) e a atmosfera retrô e onírica colabora para que a primeira metade do filme desperte suspiros na plateia mais romântica. Isso graças à direção de Michel Gondry (do maravilhoso Brilho eterno de uma mente sem lembranças) e a belíssima fotografia, que lembra muito os trabalhos mais lúdicos de Luis Fernando Carvalho, como Hoje é dia de Maria. O ponto ame-ou odeie é o surrealismo radical do filme, que em nenhum momento faz concessões ao realismo, nada no filme é literal, tudo é metáfora. O livro de Vian tem em si esse caráter, e apesar de existir uma adaptação dos anos 60, o filme de Gondry é mais fiel ao original.




A medida que o filme avança a fotografia que a princípio é colorida e solar vai ganhando ares mais sombrios, até que ao final o filme se torne preto-e-branco e o cenário principal fique claustrofóbico. Entre a direção de arte quase barroca em seus detalhes e o ritmo frenético da ação, com coisas acontecendo em diversos planos existem críticas à sociedade que soam bem atuais (o livroé da década de 50 e o filme se passa nessa época, apesar de soar futurista em algumas partes). Um dos personagens se torna fanático por um filósofo chamado Jean Sol Partre - uma alusão a Jean Paul Sartre - e numa cena um padre cobra pra fazer um funeral "mais cristão".





Apesar do meu entusiasmo, o filme é bastante ame-ou-odeie. Tanto que passou batido pelas bilheterias e a crítica especializada achou fantasioso demais. Eu amei e tô aqui recomendando, meu namorado achou arrastado e um amigo que foi ver conosco saiu do cinema com um sorrisão estampado na cara. Pra tirar a prova dos nove recomendo que você veja se ainda está em cartaz, loque ou baixe o filme (atenção Polícia Federal: esse blog não incentiva a pirataria, tá?). Mas se este humilde blogueiro não conseguiu te convencer, veja o trailer abaixo e leia este texto da Eliane Brum, que conseguiu colocar em palavras toda a beleza triste do filme.




Espero que gostem. 

Júnior Bueno.

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