quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amor à Vida: Atores engrandecem novela!



Me abstenho aqui de fazer críticas a Amor à Vida como um todo, que na minha visão derrapa em inúmeros defeitos. O que pretendo aqui é falar dos atores que sobrevivem aos excessos da trama dando dignidade a qualquer texto e do desempenho deles na última virada da novela. O elenco foi muito bem escalado, sobretudo o que dá vida ao núcleo central. Numa coisa Walcyr Carrasco é mestre: Ele sabe como agarrar a audiência com esses momentos de impacto em suas novelas, que independente do contexto e estilo de tal história gera a famosa catarse. Foi exatamente isso o que aconteceu no capítulo desta segunda (18/11/13) de Amor à Vida, que não só promoveu um dos momentos mais aguardados da trama, mas permitiu ao elenco brilhar intensamente. 


A seqüência foi mais uma das muitas viradas que Amor à Vida sempre promove, mas neste caso teve o peso de representar a derrocada do vilão Mor da trama, Félix Khoury, desmascarado pelo seu ato mais abominável: Ter abandonado a sobrinha recém nascida em uma caçamba de lixo. Gostando ou não da Novela, há de se reconhecer que os barracos homéricos da família Khoury são sempre ótimos, aliás, os conflitos centrais são o que Amor à Vida oferece de melhor, e é ótimo quando estes estão em evidencia e atingem seus momentos de clímax. Teve de tudo: muitas lágrimas, muita gritaria, a palavra caçamba repetida várias vezes, tapas e xingamentos, assim como a emoção e entrega dos atores envolvidos que prevaleceu do inicio ao fim engrandecendo as cenas e fazendo valer á pena assisti-las. Diante do que os atores ofereceram com suas interpretações, todas as irregularidades da seqüência como: excesso de explicações, diálogos destoantes e a enrolação até se chegar ao que realmente interessava, não significaram absolutamente nada, inclusive foi uma seqüência daquelas para se deixar levar e mergulhar na emoção dos atores, e não ficar procurando os erros.


Malvino Salvador, Thales Cabral e Gláucio Gomes seguraram bem a onda, mas ficaram pequenos perto do que o restante do elenco fez em cena. Vanessa Giácomo que esta arrasando na pele de Aline, mesmo com uma participação mínima na seqüência, divertiu com os comentários de sua vilã que estava adorando ver aquilo tudo, dando leveza a um momento pesado. A grande Nathália Timberg só precisou de algumas palavras para marcar sua presença, emocionar e enriquecer a cena, tamanha sua grandiosidade. Antonio Fagundes fabuloso e competente como sempre na pele desse personagem, obviamente também reinou com sua atuação exibindo toda a satisfação de César em ver a queda do filho, é sem dúvida seu melhor papel em anos. Susana Vieira não deixa por menos e se agiganta em cena como essas, conseguiu transmitir perfeitamente o horror de Pilar em saber a verdade sobre o filho querido, e não precisa de lágrimas lavando o rosto para medir o talento dessa mulher, e sim o olhar, a expressividade, a voz, enfim, no meu ponto de vista isso define um ator e uma atriz, e Susaninha arrasa, aliás, Walcyr merece os parabéns por nos lembrar da grande atriz que ela e que há muito não se via. Elisabeth Savalla que conseguiu tornar Márcia destaque da novela graças a seu excelente desempenho e roubou a grande cena para si em vários momentos, reafirmando seu imenso talento também no drama e que bom que ela esteve presente nesse momento, e que bom que ela é valorizada por Walcyr, e que bom poder vê-la exercendo plenamente seu ofício. Paolla Oliveira é uma bela atriz, e está especialmente bem como Paloma em Amor á Vida, mas ainda assim vez ou outra é  traída pelo texto e pelos exageros no drama de sua personagem o que acaba a deixando exagerada também, mas vale frisar, isso em alguns momentos. Na referida seqüência a entrega de Paolla foi impressionante e ela soube tocar o coração de quem assistiu no momento em que mais contida Paloma desabafa sobre seu sofrimento e sobre a mágoa que adquire para com o irmão, está de parabéns também. Mateus Solano merece parágrafo único.


Mateus Solano é o dono da novela, foi o dono do capítulo e da seqüência. Ele consegue transmitir todos os lados de Félix: O caricato, o maléfico, o divertido e o humano e entre outros lados de forma perfeita, não há elogios suficientes para definir o trabalho primoroso e espetacular que Mateus faz em Amor à Vida. Ele reinou absoluto em toda a sequência e foi impecável ao externar todas as sensações e emoções sentidas por Félix naquele momento. Sua intensidade, sua entrega, a leitura que ele faz do personagem, o seu brilhantismo e genialidade em extrair o que se pode do texto de Walcyr e da melhor forma possível transformar isso em um espetáculo daqueles é algo digno de todos os aplausos e reverencias, até os excessos e exageros couberam em cena e não incomodaram. Mateus é O CARA atuando. O melhor de toda essa virada é o fato dela exibir toda a profundidade do personagem Félix, através do desabafo em relação ao sentimento de rejeição e falta de amor do pai, profundidade essa que fica anulada e escondida por trás daquela mera caricatura do gay que o texto imprime ao personagem para torná-lo engraçado. Walcyr conseguiu desenvolver um personagem rico, complexo e cheio de possibilidades, ao mesmo tempo um parque de diversões. Mateus sabe disso e deita e rola quando tem a oportunidade de despir Félix por completo e retratar as fragilidades dele. Não é a toa que mesmo Félix sendo um vilão, foi impossível não se emocionar com a cena em que ele perde tudo, sendo possível até se compadecer do mesmo. Félix será sempre uma figura lembrada pelo show que Mateus Solano esta dando ao vivê-lo.


Amor à Vida pode não ser a melhor das novelas, mas um dos méritos dela, independente de ter um e outro ator que não rende ou que é subaproveitado é  proporcionar ao público ver grandes atores reunidos em cena, grandes interpretações, lembrar ao público que o Brasil é terra de gente muito talentosa . Vale aqui parabenizar também a direção competente da novela que armou a arena para os atores brilharem e os deixou a vontade, a coisa mecânica da cena ali foi invisível, as emoções vividas por aqueles personagens foram acontecendo e se sucedendo de forma natural, independente de posicionamentos, ângulos de câmera e etc. Enfim, deu gosto assistir a Amor à Vida na última segunda, mereceu a repercussão e audiência que teve, a novela pelo menos consegue acertar nesses momentos, que venha a próxima virada.
 

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