sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Recomendo: Revenge, uma saborosa série sobre vingança.


Comecei a ouvir falar e a ler sobre a série norte-americana Revenge, durante a exibição de Avenida Brasil, graças às comparações feitas entre as duas nas redes sociais, onde muitos diziam que a nossa novela era inspirada na série, e indo mais longe, acusavam de ser uma cópia. Na época, procurei alguma coisa no Google, li que se tratava de uma trama de vingança, talqualmente a saga protagonizada por Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) com a qual realmente tinha muitos pontos em comum. No entanto, como nunca me liguei a séries americanas, mesmo com certa curiosidade, não me senti muito interessado em vê-la. Quando a Globo passou a exibir Revenge aos domingos, não resisti e resolvi matar minha curiosidade assistindo ao primeiro episodio, e aí acabei voltando no segundo, no terceiro, no quarto... E hoje vou para o quarto da terceira temporada que acompanho via internet. Acabei me viciando na série.


Alguém já definiu Revenge como pegajosa e acho que é a definição perfeita para série. A trama é extremamente instigante, bem costurada, ambientada no luxuoso cenário dos Hamptons nos EUA, vivida por personagens riquíssimos e que usa e abusa dos mais variados recursos para surpreender e impactar em vários momentos. Isso sem falar no trabalho de atores, direção, trilha, diálogos e o melhor: Toda a engenharia de um roteiro mais que competente. Revenge apresenta algo muito próximo das nossas telenovelas, é essencialmente um folhetim, desde os ganchos e historias que vão se desenrolado como um novelo, até o mais puro melodrama com direito a romance, conflitos familiares, corações em conflito, segredos e intrigas que proporcionam vários desdobramentos e etc. Pode-se dizer que Revenge é um grande novelão apresentado na estrutura de um seriado e com todo o glamour e sofisticação que as séries americanas possuem. A série já está em sua terceira temporada e se mostra com fôlego de sobra para continuar.

          
Sobre as comparações feitas com Avenida Brasil, realmente há muitos pontos em comum, o que é inevitável por se tratar de duas tramas que tem como ponto de partida uma jovem que quer vingar o pai, trama essa que não é nenhuma novidade já que vingança é um tema mais velho que andar para trás em toda dramaturgia. Apesar desses pontos semelhantes, uma consegue ser bem diferente da outra. Avenida Brasil o tempo todo se baseou na vingança pessoal de Nina contra Carminha, motivada pelo fato da vilã ter passado a perna em seu pai e pelo fato desta ter lhe abandonado num lixão a própria sorte, um golpe de uma vigarista sem escrúpulos. Neste caso foi algo mais passional, menos complicado, a simples busca por um acerto de contas, e com toda aquela pegada popular proporcionada pelo subúrbio do Rio de Janeiro. Já em Revenge, a vingança da protagonista abrange uma verdadeira conspiração contra seu pai, arquitetada não só por uma, mas por uma série de pessoas ligadas por uma teia de interesses que envolvem dinheiro, poder, política e status, e que chega a extremos como o terrorismo, sem falar em todos os segredos por trás disso. Em minha opinião Revenge consegue se aprofundar mais no tema vingança ao explorar todos os lados e possibilidades desse sentimento, o levando a todas as consequências possíveis, enquanto Avenida Brasil se equilibra entre os clássicos ingredientes do novelão, ainda que tendo os seriados americanos como referencia em termos de ritmo e agilidade. Gosto de pensar que Revenge é uma prima rica distante de Avenida Brasil (risos), e a qualidade está no DNA de ambas.


O que mais me atrai em Revenge, além de toda a construção e desenvolvimento da trama, é a forma com que o psicológico dos personagens é trabalhado. São personagens fortes, complexos, contundentes, que possuem todos os lados e sentimentos que um ser humano pode apresentar. Mesmo a mais doce e frágil como Charlotte Grayson (Christa B. Allen) consegue ser inconseqüente e cruel, assim como o mais asqueroso dos seres como Conrad Grayson (Henry Czerny) consegue amolecer frente a algumas circunstâncias. Todos já demonstraram seu melhor e pior lado. Emily Thorne (Emily VanCamp) e Victória Grayson (Madeleine Stowe), respectivamente “heroína” e “vilã” da série, transcendem as essas definições e conseguem ser tipos diferentes, só que ao mesmo tempo muito parecidos. Elas se invertem nas posições de vítima e algoz ao longo de toda a trajetória de ambas. A dissimulação e ferocidade com que atuam em seus planos, seja atacando ou se defendendo, é algo que as duas dominam igualmente bem, sem falar em seus sentimentos, nas duvidas, nas fragilidades e nas batalhas com a própria consciência. Vê-las trocando farpas é puro deleite para os fãs da série, um duelo de titãs. Depois das duas, meu personagem predileto é o gênio, irônico, charmoso e divertido Nolan Ross (Gabriel Mann), fiel escudeiro de Emily. Um cara que consegue ultrapassar os limites de suas próprias definições de certo e errado em nome da lealdade para com Emily, ao mesmo tempo em que na tentativa de botar um freio nela, ele próprio vai contra os planos dela a fim de protegê-la. E o mais interessante é que mesmo sendo um cara inteligentíssimo e perspicaz, acaba ficando vulnerável no plano de suas afetividades, tamanha sua carência e ainda é responsável pelos poucos momentos de humor na série.


A primeira temporada foi espetacular, redondinha e consistente. Já na segunda com todo o palco armado, ficou nítido que os criadores se permitiram dar vôos mais altos e arriscar mais em termos de criatividade, em vários momentos isso funcionou, no entanto acabou criando alguns desdobramentos dispensáveis para o bom andamento da trama, fugindo um pouco do foco principal: a luta de Emily para vingar seu pai. A atual temporada tem potencial para ser a melhor das três, pois mantém a ousadia apresentada na segunda e ao mesmo tempo resgata a simplicidade e o caminhar natural e fluente da primeira, sem falar que coloca a trama de volta nos trilhos, focando no que realmente importa. Quem ainda não viu nada da série e tem vontade de ver, precisa acompanhar desde o inicio para não perder nenhum detalhe, pois Revenge não é uma trama fácil e requer muita atenção para o bom entendimento e compreensão do desenrolar da historia.


Diante do que tenho visto ao acompanhar a série penso que Revenge faz por merecer o sucesso que faz nos lugares onde é exibida, e por possuir várias semelhanças com o nosso estilo de teledramaturgia, acho que é um bom exemplo para se mirar no que diz respeito à produção de seriados brasileiros no gênero drama, terreno onde ainda estamos engatinhando. João Emanuel carneiro jaz fez algo muito bom nesse formato com A cura , série bem brasileira, mas de qualidade, com muito drama, suspense, surpresas, emoção e reviravoltas extraordinárias (aliás, lamenta-se a ausência de uma segunda temporada da série). Enfim, super recomendo Revenge para quem gosta de séries americanas ou tem vontade de ver uma mas não sabe qual, e para quem adora saborear uma boa trama de vingança, vale muito á pena. A série é exibida nos  Estados Unidos pela ABC e aqui no Brasil pela Sony na TV paga, mas tem todos os episódios disponíveis na internet para ver online ou baixar. Se alguém decidir ver, divirta-se!   

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