quinta-feira, 3 de julho de 2014

ENTREVISTA EXCLUSIVA com Aguinaldo Silva, autor de "IMPÉRIO", próxima novela das nove!


Por Equipe "O Cabide Fala"


O campeão de audiência voltou! Aqui no Cabide e na Rede Globo no próximo dia 21 de julho com sua nova novela "Império". Na entrevista que gentilmente nos concedeu com exclusividade, Aguinaldo Silva comenta sobre a "nova" estrutura de novelas, sobre audiência, sobre as críticas na época de "Fina Estampa", sobre suas vilãs, sobre os novos autores no horário nobre, sobre seu novo diretor e ainda responde uma pergunta de Ricardo Linhares. Confira abaixo!


Rafael Barbosa: Hoje em dia há uma grande exigência de que as novelas sigam os moldes de seriado americano, no entanto quando um autor se propõe a arriscar e mexer demais na estrutura do gênero, a novela pode vir a ser rejeitada. Como você já adiantou, Império resgata o velho e simples folhetim. Diante disso, como enxerga o futuro da telenovela? como acha que ela pode se adequar a essas novas exigências, sem perder a essência do folhetim? Acha que os autores em geral estão preparados para lidar com isso?
A estrutura do folhetim é tão perfeita, que não sofreu modificações desde que apareceu ainda no século XIX. Não há como mudar o folhetim sem transformá-lo em outra coisa. E a novela é o folhetim, é o melodrama, é como o próprio nome indica, um novelo cheio de nós que o autor aos poucos desenrola. O futuro da telenovela é ser sempre telenovela. Claro que a linguagem tornou-se mais ágil, as geniais novelas de Janete Clair, por exemplo, não poderiam mais ser produzidas hoje ao pé da letra. Mas a essência não muda. O que é preciso é que os autores de novela não comecem a ter vergonha do que fazem e cismar de fazer novelas "diferentes", ou revolucionar o gênero.  Isto sempre resultará em fracasso.

Fábio Dias: Ultimamente as novelas estão com dificuldades para engrenar e conquistar grandes números de audiências. No ano passado diversas vezes manifestou o desejo via redes sociais de superar os índices de Fina Estampa, a maior audiência dos últimos anos. Ainda acredita nessa possibilidade? Como vê o atual cenário de audiência?
A maior audiência dos últimos 14 anos ainda é a de "Senhora do Destino": 50.4 de audiência, número que, nas circunstâncias atuais, acho imbatível "Fina Estampa" teve maior audiência que "Avenida Brasil", mas esta foi a campeã de cliques e comentários na internet. Sinal dos tempos? Talvez, tem muita gente vendo novela no computador, no smart-phone, no celular...  E para efeito de audiência monitorizada pelo Ibope, estes não contam. A lenda de que a audiência das novelas caiu não se sustentaria se esses telespectadores que usam as novas mídias eletrônicas para ver novelas pudessem ser contados.

Rafael Barbosa: Após anos em parceria com Wolf Maya, na direção de suas novelas, Rogério Gomes dirigirá Império, como tem sido essa nova parceria?
Fantástica.  Depois de ver o clipe da novela - que foi exibido durante a entrevista coletiva à imprensa - tive certeza absoluta de que acertei em cheio quando convidei Rogério Gomes para ser o diretor-geral da minha novela.

Com o diretor Rogério Gomes.

Rodrigo Ferraz: A trama de Império tem algumas semelhanças com Suave Veneno e Rei Lear. Maria Clara (Andreia Horta) e Márcia Eduarda (Luana Piovani) que foi inspirada na Cordelia se parecem até pela relação que elas tem com o pai, como a Cordelia e o Lear. Teremos mais alguma trama parecida com Suave Veneno, Rei Lear ou outra obra sua? Anteriormente o senhor disse que tinha o desejo de reescrever Suave Veneno. Está de uma certa forma cumprindo desse desejo antigo,  pelo menos na trama central?
Todas as minhas novelas falam de uma família e, portanto, da relação nem sempre fácil entre seus membros. Foi assim em "Suave Veneno", em "Senhora do Destino", em "Fina Estampa"... E será assim em "Império". O que talvez a aproxime um pouco mais de "Suave Veneno" é que nela como naquela, a família é muito rica e poderosa, e então a briga é pelo poder dentro dela.

Rafael Barbosa: “Fina Estampa” foi indiscutivelmente um sucesso quanto à audiência, mas foi bastante criticada também, acha que a novela foi mal compreendida por esses que criticaram ou enxerga isso como algo pessoal? Dava pra sentir que se divertia ao escrever a novela e que a intenção era divertir quem assistia, aquele humor que tomou conta da novela foi algo planejado ou foi o caminho que viu que daria certo? Mudaria alguma coisa na trama? E em Império, haverá o mesmo humor, alem do da irreverência habitual em todos os seus trabalhos, ou podemos esperar uma trama mais densa?
As críticas a "Fina Estampa" na verdade não eram dirigidas à novela e sim a mim.  Às minhas atitudes como autor, ao meu comportamento, digamos, um tanto arrogante. Não é o caso de vir aqui e fazer uma autocrítica, mas acho que gostei tanto do enorme sucesso da novela, e tanto alardeei isso que acabei me tornando antipático. Durante algum tempo depois de "Fina Estampa" todos diziam que minhas novelas eram péssimas...  Agora continuam dizendo que elas foram péssimas...  Mas acrescentaram que todas deram boa audiência.  A predominância do humor em "Fina Estampa" foi determinada pelo público. Cada vez que a novela apelava para a comédia a audiência subia vários pontos, e você sabe, quem manda na novela é o telespectador, e não o autor, muito menos a crítica.

Com Drica Moraes e Leandra Leal

Raul Santos: "Império" será a primeira novela da atriz Drica Moraes no horário nobre, e a primeira novela contigo. Como ocorreu a escalação da atriz? O que podemos esperar da Cora?
Há anos eu queria trabalhar com Drica. Ficava muito impressionado com o fato de que só davam para ela, uma atriz de grande capacidade dramática, só personagens de comédia. Na hora de escalar uma atriz para fazer Cora eu sugeri Drica e o Rogério Gomes adorou a idéia e embarcou na hora. Cora é uma vilã como eu adoro fazer - aquela que é capaz de tudo e - já visei Drica sobre isso - obriga a atriz a pagar os maiores micos. Em “Senhora do Destino”, por exemplo,  eu fiz Renata Sorrah descer de um prédio por uma corda feita de lençóis, e até hoje ela me diz: "nunca me diverti tanto!"

Fábio Dias: Antes foi um pouco alarmado que Lília Cabral seria uma vilã. Mas vendo as chamadas percebi que a Cora (Drica Moraes) é uma “demônia” (risos). Teremos duas grandes vilãs em "Império"?
Querido, dessa vez eu não quis apenas uma vilã, quis duas. E posso te garantir que elas são duas demônias... Principalmente quando uma atravessa o caminho da outra.

Rodrigo Ferraz: Suas vilãs são muito marcantes, agora teremos duas, quais são as diferenças de Marta e Cora? Elas terão confrontos entre elas? Que outras vilãs que você fez que mais te empolgaram?
A diferença é que uma rica e poderosa,  e a outra é pobre e ardilosa. Ao longo da novela elas se unirão e se desunirão várias vezes, de acordo com os interesses de cada uma no decorrer da história. Gosto de todas as minhas vilãs, adoro fazer com que elas quebrem todas as regras e sejam desmedidas. Perpétua, Altiva Pedreira, Nazaré... Ah, eu gosto de todas.

Júnior Bueno: Glória Perez e Walcyr Carrasco durante a exibição de suas novelas sofreram críticas de usuários do Twitter e entraram em brigas ao defender duas tramas, inclusive insinuando que usuários eram pagos pra falar mal das novelas. Você presta atenção nas críticas das redes sociais quando sua novela está no ar?
Se eu fosse prestar atenção ao que escrevem nas redes sociais sobre o meu trabalho eu não trabalharia. Não leio nem  as críticas dos jornais, que, aliás, tem menos leitores do que o meu twitter. Quando se escreve novela não sobra tempo para mais nada, e eu seria masoquista se usasse o pouco tempo de descanso que me sobre para ler críticas negativas.

Cena de "Império" - Alexandre Nero e Lília Cabral

Fábio Dias: A faixa das nove esta vivendo um momento de transição de autores, Thelma Guedes e Duca Rachid estão cotadas para entrar no horário. Gradativamente alguns veteranos estão deixando de escrever novelas e estao vindo novos autores pra faixa mais nobre. Como vê a qualidade e estilo desses novo autores?
Nós, os autores que agora tentamos, da forma mais elegante possível, sair pela porta sobre a qual está escrita a palavra "saída", tivemos que comer muito feijão com arroz para chegar onde chegamos... E fomos muito longe, não há dúvida. Acho que todos estes autores que agora despontam irão longe... Desde que comam bastante feijão com arroz como nós comemos.

Rafael Barbosa: A discussão em torno de Qualidade X Audiência sempre rende bastante. E cada vez mais constante que a opinião da critica especializada e de internautas nas redes sociais sobre uma novela se oponha aos números obtidos no ibope pela mesma. Tivemos alguns bons exemplos recentemente de novelas tidas como ótimas com números pífios, e de outras fortemente criticadas e malhadas com números relevantes. O que e mais importante afinal, um bom numero no ibope ou o respeito e credibilidade junto a critica? Que peso dão a esses dois lados?  E como administrar uma novela incompreendida pelo a audiência? Como se preparam para isso?
A responsabilidade do autor é para com o dono da novela, que é o produtor que põe dinheiro nela - no meu caso a Rede Globo - e com aqueles que são os únicos capacitados a decidir se uma novela cumpriu ou não seu objetivo, que é dar audiência: os telespectadores. Os críticos têm uma visão totalmente fora da realidade quando escrevem sobre novelas. Eles acham que a novela deve desdenhar o gosto popular do telespectador e se preocupar apenas com o gosto elitista deles. Isso não acontece só com a novela, acontece com o cinema, o teatro, a literatura... O problema é que a novela atinge um público de 40 milhões de pessoas, e por isso tem que ser obrigatoriamente "média", ou "mediana", e também criativa pra caramba, para atingir este público no qual não se inclui a crítica.

Participação especial do autor Ricardo Linhares.


RICARDO LINHARES: Faz tempo que você não adapta autores como Jorge Amado. Você ainda tem vontade de fazer adaptações de obras literárias?
Perdi a vontade. O que me interessa neste momento é contar minhas próprias histórias. Mesmo que o adaptador utilize apenas a essência da obra adaptada e a transforme em outra coisa, como foi o caso de Tieta, ele será sempre um adaptador, o autor da obra é outro.


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