segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ENTREVISTA EXCLUSIVA com Lícia Manzo, autora de "Sete Vidas", próxima novela das seis

Por Equipe O Cabide Fala
Lícia Manzo, a entrevistada de hoje tem apenas uma novela de sua autoria em seu currículo, mas, com um talento incontestável no gênero, angariou uma legião de fãs com os dramas de Manu e Ana em "A Vida da Gente". Em março do próximo ano Lícia está de volta ao horário das seis com "Sete Vidas", novela essa que foi concebida com menos capítulos para o horário das onze, mas quando a direção da Rede Globo percebeu a força da trama, solicitou à autora que transformasse em uma novela das seis. Na entrevista abaixo a autora fala bastante sobre "Sete Vidas", relembra "A Vida da Gente" e ainda responde uma pergunta de Rui Vilhena, autor de"Boogie Oogie". Confira!
Rafael Barbosa: Geralmente, novelas como "A Vida da Gente", muitas do Manoel Carlos ou outras que focam mais nas relações humanas, que retiram os conflitos das situações e circunstancias do dia a dia, e em que os diálogos tem tanto ou mais força que a ação, encontram mais dificuldade em atingir a audiência. Porque acha que isso acontece? É um estilo mais complicado?  "Sete Vidas" seguirá essa mesma linha?
Se novelas mais focadas em relações humanas tivessem, de fato, mais dificuldade em atingir a audiência, Manoel Carlos, me parece, não teria construído uma carreira marcada por tantos sucessos.  Mesmo ‘A Vida da Gente’, que é hoje a terceira novela mais exportada da história da TV Globo e foi líder de audiência em diversos países onde foi exibida.
Júnior Bueno: "A Vida da Gente" foi um sucesso de crítica e é uma das atuais campeãs de venda no exterior. Isso cria mais expectativas em relação à Sete Vidas?
Sobre as expectativas do publico ou crítica penso que só eles poderiam responder.  De minha parte, independente do que veio antes, meu foco é no que preciso produzir diariamente, na longa caminhada que envolve uma novela.
Rodrigo Ferraz: A novela foi planejada para o horário das 23h, depois remanejada para as 18h, esta mudança fez com que você mexesse muito na história? Precisou amenizar um pouco alguns dramas ou conflitos, os adequando para a nova faixa?
Alguns conflitos foram adaptados, mas de um modo geral - mesmo tratando de temas fortes – é para mim uma preocupação abordar toda e qualquer questão de forma responsável, sem vulgaridade ou apelação, independente do horário em que a novela venha a ser exibida.
Fábio Dias: No que se diferenciam e no que se assemelham “A Vida da Gente” e “Sete Vidas”? O que pode adiantar da trama?
Ambas são novelas contemporâneas, urbanas, e que traçam um desenho das novas relações familiares.
Fábio Dias: Uma das poucas críticas na época de “A Vida da Gente” foi a falta de humor. A novela foi até reclassificada não sendo recomendada para menores de 10 anos por conter um conteúdo “angustiante”. Em “Sete Vidas” o humor está mais presente? Ou segue com a mesma carga dramática?
Conteúdos angustiantes nunca foram, nem jamais serão, impróprios para qualquer idade em particular.  Andersen, Perrault, os irmãos Grimm,  escreveram sobre madrastas que encomendavam a morte das próprias enteadas, fadas que se vingavam condenando uma jovem a dormir cem anos, enfim... Penso que o que conta é a condução do autor, ou ainda, um fio ético capaz de transportar ou mover o espectador por um caminho onde a angústia e o terror possam ser finalmente purgados.  
Domingos Montagner, Isabelle Drummond e Michel Noher em gravações de "Sete Vidas" (Foto: João Miguel Júnior/TV)
Rodrigo Ferraz: Como funciona o seu processo de escalação de elenco? Vi que alguns atores de A Vida da Gente estarão novamente trabalhando com você, como Gisele Fróes, Maria Eduarda, Malu Galli, Ângelo Antonio e Cláudia Mello. Que atores você ainda sonha em trabalhar?
Bons atores, são estes os que me interessam.
Thiago Cordeiro: A renovação de elenco fica a cargo da emissora, ou de alguma forma os autores contribuem? Como você vê isso?
Sim, autor e diretor contribuem, naturalmente. Muitas vezes no cinema, ou no teatro, encontro algum ator que não conhecia e que me parece perfeito para o que precisava. 
Junior Bueno: Falando em revelações, tem alguém em quem você e o Jaime Monjardim apostem e que vai conquistar o público?
Gosto muito do trabalho do Guilherme Lobo - jovem protagonista do longa ‘Hoje eu não quero voltar sozinho’ - e que estará em ‘Sete Vidas’.
Fábio Dias: Foi noticiado que Ana Beatriz Nogueira deixou o elenco de "Sete Vidas", já pensaram em uma substituta para sua personagem?
Cyria Coentro fará o papel anteriormente cogitado para Ana Beatriz Nogueira.
Leonardo Medeiros também enfrentou o frio para gravar ao lado de Débora (Foto: João Miguel Júnior/TV)
Fábio Dias: Em entrevista ao Jornal O Globo você declarou "Escrevi uma sinopse bem caprichada para eles verem que eu queria ser colaboradora." ou seja, não queria ser novelista. Por que? E agora como vê esse trabalho?
Achava que não daria conta, apenas isso.  Mas ‘A Vida da Gente’ foi uma experiência tão feliz para mim:  é tão emocionante ver uma novela ganhando forma.  Uma idéia que nasce tímida, frágil, na sua cabeça, de repente vai tomando corpo.  É um trabalho onde posso estar sozinha – coisa que necessito e adoro – mas ao mesmo tempo ligada a tantas pessoas: equipe, autores, direção, atores, publico, enfim... Penso que descobri um modo de trabalho onde simplesmente funciono, e que se parece comigo.    
Rafael Barbosa: Na época de "A Vida da Gente", seu estilo foi bastante comparado com a obra de Manoel Carlos, talvez pela imensa habilidade em falar do cotidiano e ir a fundo nas relações humanas em seus pormenores como poucos o fazem. Chegaram a chamá-la de novo Maneco. Como enxergou essas comparações? De fato ele é uma referencia? Se sim, o que a obra de Maneco representa para você como autora e como telespectadora também?
Manoel Carlos é mestre em escrever sobre conflitos e relações familiares, o que tende a ser meu interesse principal. Ser comparada a ele é uma honra, naturalmente.
Rodrigo Ferraz: Você já escreveu humorísticos, apesar de suas novelas terem personagens cômicos, ao que parece "Sete Vidas" assim como "A Vida da Gente" o foco será mais dramático, é o seu gênero favorito? Como foi fazer esses humorísticos?
Não tenho um gênero favorito, mas gosto especialmente de filmes, livros, espetáculos onde - assim como na vida - drama e comédia se misturam.
Rafael Barbosa: Hoje em dia os seriados são aclamados pelo público, e é apontado como o futuro da teledramaturgia. Você já escreveu "Tudo Novo de Novo", antes de ir para as novelas, quais são as maiores diferenças no trabalho com os dois formatos. Como enxerga esse futuro da teledramaturgia? Possui alguma ideia ou algum projeto pra seriado no futuro, após "Sete Vidas"?
Nenhuma ideia para depois de ‘Sete Vidas’ que não seja descansar, me esvaziar, me refazer.  Mais importante que o formato, é a manutenção de um espaço de criação para os temas que me mobilizam, me interessam. 
BLOGUEIROS  E TWITTEIROS CONVIDADOS
Daniel César (@demlocesar): Podemos considerar que você é uma novelista relativamente nova, afinal, tem apenas uma telenovela já exibida (A Vida da Gente), além de uma série (Tudo Novo de Novo). O Mercado para novelistas no Brasil é pequeno, poucas emissoras investem em teledramaturgia. Qual o caminho para quem procura se tornar um autor de teledramaturgia no Brasil?
O caminho, acredito, é produzir, escrever. E para que sua produção seja vista ou se destaque, não conheço outro caminho que não seja o da autenticidade.  Tenho pregado em meu painel de trabalho uma frase de Oscar Wilde, à qual recorro quando me sinto perdida ‘Be yourself, everyone else is already taken’, enfim... O que é que um autor tem, e que nenhum outro possui? Resposta: ele mesmo. Seu olhar, história, experiências, humor, subjetividade que - assim como suas digitais – são únicas e intransferíveis. 
Sergio Santos (@zamenza): Lícia, primeiramente faço questão de dizer que sou um grande admirador do seu trabalho. Achei a série Tudo Novo de Novo profundamente tocante e a novela A Vida da Gente foi uma das tramas mais lindas e sensíveis já exibidas no horário das seis, sem exagero. Agora você voltará com “Sete Vidas”, um folhetim que promete ser carregado nas emoções e nas relações humanas. Quando você escreve uma série ou novela, já sabe exatamente como irá terminar? Em A Vida da Gente, desde o início você já sabia que Manu terminaria com Rodrigo em um desfecho que emocionou a todos? Ou você é adepta da recepção do público? Se sente mais segura no horário das seis ou toparia escrever sem problemas uma trama das sete ou das nove?
Sérgio, fico muito feliz que tenha gostado de ‘Tudo Novo de Novo’ e ‘A Vida da Gente’, e quanto ao que me pergunta, diria o seguinte: se soubesse exatamente como terminar, que graça teria escrever?  É claro que há um planejamento, mas assim como na vida, o processo é feito de descobertas, surpresas, desilusões, imprevistos... E é da relação do autor com cada um desses elementos inesperados que pode nascer um texto pulsante e autêntico.
Sergio Santos (@zamenza): Lícia, pensou em escalar Marjorie Estiano para Sete Vidas depois da ótima parceria que vocês tiveram em A Vida da Gente?
Não, Marjorie Estiano nunca esteve cogitada para ‘Sete Vidas’. 

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE RUI VILHENA

RUI VILHENA: A maneira como as pessoas assistem aos conteúdos televisivos está em mutação. A tendência é o telespectador ser seu próprio programador. Ver o que quer, quando quer. Como a teledramaturgia irá se adaptar a essa nova realidade?
Acredito, Rui, que esta pergunta será respondida ao longo tempo.  Mas a possibilidade de escolha por parte do telespectador me parece diretamente relacionada ao fim de qualquer possibilidade de acomodação por parte dos produtores de teledramaturgia.  Não basta que algo esteja no ar para que seja assistido, o que nos obriga a rever e problematizar nosso trabalho,  o que é extremamente positivo. 

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CONFIRA TAMBÉM:

~~>> PROFILE: LÍCIA MANZO - Uma grande revelação

~~>> ENTREVISTA COM RUI VILHENA, autor de Boogie Oogie

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