quinta-feira, 14 de maio de 2015

ENTREVISTA: A drag queen Alexia Twister fala de sua carreira e de sua peça "Lola, a pioneira"


Por Fábio Dias e Rodrigo Ferraz

Alexia Twister é uma das drag queens mais talentosas da noite paulistana. A artista inclusive já foi elogiada por suas performances por divas pop como Lady Gaga,  Kylie Minogue e Guy Oseary, empresário da Madonna. Atualmente, além de fazer shows por várias as casas noturnas em São Paulo, Alexia está de volta aos palcos paulistanos com a peça que estreou em 2013, "Lola, a pioneira". No espetáculo, com direção de Mário Goes, Alexia interpreta um travesti que tem que voltar a ser homem para sobreviver. A peça é um drama, fala de amor e sonhos. Saiba mais sobre a peça e sua carreira na entrevista abaixo.

Como é interpretar outra persona feminina que não é a Alexia Twister?
Na verdade,  a Alexia é uma personagem que vive várias outras personagens. Sempre foi assim. Dentro do trabalho de cover e em shows autorais. Alexia é uma atriz, por isso se transforma para viver outras personagens. No caso do teatro, fizemos um trabalho de onze meses de construção de personagem, voz e expressão corporal.

Com seu diretor Mário Goes

O que elas tem em comum? E o que elas tem de diferente?
Sempre temos um traço nosso, em nossas personagens. Mas sempre procuro diferenciar ao máximo. Eu estudo os trejeitos, gestuais. No teatro, tento colocar um sotaque, por exemplo. Eu tento construir personalidades diferentes.

Antes de ser a Alexia você já fazia teatro? Se sim, conte alguns papéis marcantes...
Sim. Eu comecei a dançar com 8 anos e a fazer teatro com 12. A Alexia foi consequência...
Não tive papéis marcantes, rs. Era adolescente, fazendo teatro amador. Comecei a me montar aos 17 anos. O meu papel mais marcante é mesmo a Alexia. 

Já tem algum outro projeto no teatro?
Estamos ensaiando uma nova peça. Uma comédia de costumes, chamada “Dois Sacos Vazios Não Param Em Pé”
Devemos estrear em breve.

Alexia out of drag (Matheus Miranda)

O que mais te empolga em fazer shows em boates? 
O que mais me empolga é o público. É por eles que ainda trabalho. Claro, o cachê também paga as contas, rs. Mas infelizmente nossa classe é pouco valorizada, no Brasil. A noite mudou e o “papel” da Drag Queen é cada vez menor, na cena. Vejo um novo movimento surgindo. Algo muito parecido com o inicio do movimento, nos anos 80 e 90.
A cena Pop, e Drags da cena Pop, tornando o Underground mais colorido. Fundindo moda e arte, novamente. Buscando outras alternativas. Hoje já vemos Drags Djs, com maior frequência, por exemplo e artistas transformistas em teatro, TV e a Internet. Para que sobrevivamos, precisamos buscar outros meios de divulgação, que não sejam apenas os Clubs.  

Qual foi seu show mais marcante? Poderia nos detalhar?
Eu não tenho um show marcante. Tenho vários marcantes. E cada um teve sua importância. Como O Applause, onde a Lady Gaga, viu o trabalho que fizemos, na Victória Haus, em Brasília... Kylie Minogue e Guy Oseary (empresário da Madonna) também divulgaram nosso trabalho via twitter. Isso é bem marcante, por exemplo.



RuPaul´s Drag Race é  um fenômeno mundial, inclusive com várias participantes direto em maratonas no Brasil. Como vê essa movimentação no mercado de shows de drag no Brasil? Acha as drags americanas muito diferentes das brasileiras?
Sim. É inegável o sucesso do programa e como é benéfico para a classe em todo o mundo. Entretanto, a nossa história de show é diferente, no Brasil. Eu gosto muito do trabalho das americanas, mas são mais pautadas em visual e nós em performance. Tanto uma, quanto a outra vertente, pode somar a outra. E é isso que prevejo para o futuro.

Elogios que recebeu de Lady Gaga por sua performance no vídeo acima.

Você seria uma ótima participante, há indícios que RuPaul fará uma temporada com Drags de todo mundo. Você participaria?
Eu não sei. Já disse em outra entrevista que sim. Mas eu tenho me empenhado em outras áreas. Tenho tornado a Alexia, apenas mais uma personagem. Me chamo Matheus Miranda. E tenho me “escondido” por trás da Alexia, durante muito tempo. Tenho experimentado “viver outras vidas” e tenho gostado. A Alexia é para sempre, minha maior personagem, mas não tenho certeza se participaria de um reality. 
Adoro a RuPaul, e conheço o seu trabalho bem antes do programa, seria uma honra, apenas conhece-la. Que dirá participar do seu programa. Mas, hoje, não sei se participaria.


****

Lola, a Pioneira
Gênero: Drama
Duração: 50 minutos. 
Elenco/Direção: Texto e Direção: Mário Goes. Coreografia: Edson Simões. Elenco: Alexia Twister (Ator Transformista) 
Todas as quartas até dia 27 de maio às 21 horas
Sinopse: Lola traz a atenção e a complexidade para a vida individual de cada um. Uma travesti que tem que voltar a ser homem para sobreviver, nos ensina que o essencial da vida é o AMOR, a paixão avassaladora e platônica por nossos sonhos e acima de tudo o amor ao próximo.
Ao trilhar este caminho, LOLA se depara com intrigantes situações e conflitos alheios que lhes ensinam e desafiam a querer mais e mais a voltar com seu número de Streep tease da ROSA GÁLICA.
O enredo é acentuado com margens críticas e os seguintes questionamentos primários:
Será que valorizamos quem realmente nos ama?
Será que a preocupação com nós mesmos nos impede de viver o " aqui e agora " com quem está ao nosso lado?
Até que ponto é válido sonhar?

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