sexta-feira, 3 de julho de 2015

ENTREVISTA com o escritor Felipe Ferreira, autor do livro "Griphos Meus"

Por Fábio Dias


Filmes inesquecíveis, trilha sonora que marca, romances, um pouco de política e uma dose de erotismo... Não são os ingredientes de um roteiro de série, de uma novela... São o recheio das 184 páginas do livro "Griphos Meus: Cinema, Literatura, Música, Política & outros Gozos Crônicos", que marca a estreia do escritor baiano Felipe Ferreira na cena literária.

A publicação independente lançada em dezembro do ano passado, pode ser encontrada no site da Livraria Cultura e em livrarias, centro culturais, cafés literários e lojas especializadas em Salvador, e em outras cidades do país.

Felipe, que publica uma coluna no site Cinem(AÇÃO) sobre cinema independente ("RochaS - O filme por trás do roteiro), nos deu uma entrevista inspirada em umas das inúmeras entrevistas dadas pelo cineasta Glauber Rocha, à imprensa.

Na entrevista original Glauber fala ao sobre jornalismo, literatura, TV, e claro, cinema. Nessa breve releitura, o Felipe abra a "Ostra" e discorre sobre seus griphos, intertextualidade e literatura.


1) Afinal, quem é a "Ostra" Felipe Ferreira e seus "Griphos"?
Definição é uma tarefa complexa... A "Ostra" é meu estado bruto, in natura... Meus "Griphos" são o fruto de todo esse rito de passagem. Cada "gripho" é uma partícula de mim, um rascunho do que acho que sou e do que quero ser amanhã.  

2) Qual foi o seu primeiro ato de rebelião contra o colonialismo cultural?
Publicar meu primeiro livro, claro! Os atos anteriores foram o ensaio de uma revolta contra essa autoridade artística sob o que é livre e de direito do todos, ainda que apenas na teoria. Lançar um livro sem o suporte de uma editora, ou fazer qualquer trabalho artístico sem o subsídio financeiro de empresas estatais e/ou privadas é um grito de independência.

3) Como você vê a intertextualidade entre a literatura e a TV?
A nossa literatura tem muitas obras universais e contemporâneas. Essas adaptações para a televisão são importantes para diversificação de conteúdo e elevar a qualidade da programação. Além de proporcionar à uma parcela do público, ainda que de forma superficial e limitada, acesso a grandes autores e obras da literatura. É um nicho que pode, e deve, ser mais explorado, com qualidade e sem descaracterizações inverossímeis para ganhar audiência.

4) Seus griphos tem a ver com literatura ou com a objetividade absoluta?
Literatura! Ainda que a estrutura e a temática dos textos dificulte a definição de um gênero específico. Críticas (não ortodoxas) de cinema, crônicas, resenhas literárias, poesia... Sou averso ao absolutismo. Ser objetivo é fundamental, mas a objetividade extrema enclausura e é nociva a expansão da mente.

5) Os críticos paulistas questionaram a exploração do sexo e os estereótipos femininos na literatura de Jorge Amado. Eles não têm razão?
Sangue pode. Orgasmo não! É difícil compreender essa linha de pensamento dos nossos falsos conservadores. Quanto ao Jorge, posso garantir que as personagens femininas dos seus livros são bem mais verdadeiras do que as hoje representadas na TV, nos filmes e em alguns romances.  Quanto aos estereótipos, são a camisa de força de qualquer personagem. É infértil para a dramaticidade da história narrada, e o caminho mais raso para a criação literária. Salve Jorge!

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