segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Cabide Falou com Duca Rachid, confira a entrevista exclusiva com a autora de novelas!

Por Equipe O Cabide Fala


O aniversário é dela, mas quem ganha o presente somos nós e vocês leitores. Com exclusividade, a autora Duca Rachid nos concedeu uma deliciosa entrevista. Abaixo ela nos fala sobre seus trabalhos anteriores (Cama de Gato, Cordel Encantado e Joia Rara), sobre a parceria com Thelma Guedes, a atual fase do horário nobre, sobre Ligações Perigosas (minissérie de Manuela Dias) que ela supervisiona e estreia em Janeiro. E ainda comenta um pouco sobre sua futura novela no horário nobre. Confira, imperdível!

Rodrigo Ferraz: Você já trabalhou fora da Globo, o que tem de diferente pra você?
Eu trabalhei fora da Globo há mais de dezesseis anos atrás em circunstâncias e emissoras totalmente diferentes, inclusive em outro país, como Portugal. Então não sei se poderia tecer comparações.  O fato é que a Globo me parece a mais profissional de todas as emissoras em que já estive. Tem mais recursos e os melhores profissionais do mercado. Também porque está há mais tempo fazendo novela. Tem um “know-how” incrível nessa área!

Edilson Lopes: Há alguns anos você e a Thelma Guedes formam uma parceria de sucesso. Como foi o encontro da dupla, o que as motivou escreverem juntas?
Quem nos juntou foi o Walcyr Carrasco, com quem colaboramos em momentos diferentes. Ele sugeriu que nos juntássemos para escrever o remake de “O Profeta”, sob a supervisão dele.  E ele tinha razão. Foi um encontro feliz. Nos demos muito bem, não só do ponto de vista artístico, mas também pessoal: hoje somos grandes amigas. A Thelma é madrinha da minha filha. E acho que o que nos motivou a trabalhar juntas foi a vontade de fazer coisas. Nós duas somos muito pró-ativas. Temos muitas ideias e entusiasmo pelo trabalho.

Rodrigo Ferraz: Desde O Profeta você Thelma Guedes fizeram uma parceria solida, como vocês separam as responsabilidades? Poderia compartilhar conosco??
Nós dividimos as responsabilidades igualmente. Nós duas construímos a história, estruturamos a novela  juntas e fazemos o texto final. As duas respondem por tudo.

Rodrigo Ferraz: Vocês fazem novelas realistas como Cama de Gato e fantasiosas como Cordel Encantado e meio termos como o Profeta e Joia Rara, concorda com a essa classificação? O que mais empolgou fazer em cada uma dessas tramas??
Discordo um pouco. Acho que a gente sempre coloca um elemento de fantasioso em nossas tramas. A “lição” que Alcino armava para Gustavo em “Cama de Gato”, era uma coisa bem fantasiosa. E é a fantasia que mais nos empolga e nos dá liberdade de criar.

Recebendo o Emmy por Joia Rara

Fábio Dias: Falando de audiência, Cordel Encantado foi um fenômeno, no entanto, a seguinte de sua autoria Joia Rara, apesar de ter ganhado o Emmy teve mais dificuldades para elevar seus números, e terminou com um dos piores resultados do horário. A que atribui o sucesso  de Cordel e a falta do mesmo êxito  em Joia Rara? Algo saiu fora dos planos?
Joia Rara foi imensamente prejudicada pelo calor senegalês que tivemos em São Paulo naquele ano. Aquela temperatura tinha sido inédita até então, pra nós paulistas. Tomo mundo foi pego no contrapé. E como a gente nunca teve muito a cultura de ter ar condicionado em casa, as pessoas saiam do trabalho e iam pra rua ou pro shopping, aproveitar o ar condicionado. E sim, talvez o início da novela tenha sido um pouco dramático demais. E sombrio na palheta de cores.

Rodrigo Ferraz: Como foi o processo de supervisão de Ligações Perigosas? O que podemos esperar da minissérie?
Foi ótimo! Manu Dias é uma autora pronta. Escreve muito bem e tem ideias ótimas. Não me deu nenhum trabalho! Rs...O que fiz foi passar pra ela as técnicas de adaptação que aprendi com o Walter George Dürst, meu mestre. Dei meus pitacos, mas deixei-a solta pra criar, escrever a minissérie que ela queria, do jeito dela. Acredito que é assim que tem que ser. O supervisor tem que aconselhar, tentar evitar que o autor cometa erros. Mas tem que deixar o autor livre para fazer a SUA história e não a do supervisor. Ainda não vi nenhuma imagem da  minissérie. Mas com o texto da Manu, a direção Vinícius Coimbra e da Denise Sarraceni e o elenco que temos, pode-se esperar um trabalho de alta qualidade.

Rodrigo Ferraz: É verdade que vocês estão na fila do horário nobre? Pode nos adiantar alguma coisa sobre a trama?? Como está o processo dessa trama e quando deve ocorrer a estreia?
Sim, estamos. Mas não posso adiantar nada sobre a trama, pois ainda vai demorar para estrearmos. A fila é longa....!


Fábio Dias: Como vê a concorrência atual no horário nobre com Os Dez Mandamentos vencendo a Globo. Acha que o publico está optando por novelas mais leves por conta desse atual momento que o país passa?
Os Dez Mandamentos saiu na frente, né? As pessoas já estavam vendo a novela quando “A Regra do Jogo” estreou. É difícil alguém parar de ver uma novela, com a qual já estava envolvida, pra começar a ver outra, né?  E sim, pode ser que as pessoas estejam sim, afim de ver algo mais leve, escapar da nossa dura realidade. É uma pena, pois  “A Regra” é uma grande novela, que merece muito ser vista.

Fábio Dias:  Segundo informações do Jornal O Globo, sua próxima novela será um suspense com serial killer. Essa informação é correta? 
Sim, a história tem um tanto de suspense, mas também tem muito romance e muito humor.

Rafael Barbosa: Você e Thelma se preparam agora para adentrar ao time dos que escrevem para o horário das nove, horário em  que atualmente a Globo tem penado para se manter na liderança. Muitos autores atribuem a baixa audiência de suas novelas a segmentação do público que hoje tem mais opções de entretenimento, e poucos reconhecem que tenham cometido algum equívoco. Diante disso, pra você qual é o problema dessas novelas que tem encontrado essas dificuldades: o público que esta mudando, os autores que realmente tem errado ou as duas coisas juntas? Você acha que a telenovela global hoje carece de uma revolução?
Não acredito que os autores estejam errando não... Aguinaldo Silva conseguiu ótimos índices com “Império”,  e o Walcyr também com “Amor à Vida”.  O que se passa é que o modo de se ver novela mudou. Hoje as pessoas gravam, veem na TV do carro, do táxi, no tablet, no computador, no celular... A segmentação é um fato.  Por conta dessa fragmentação a novela tende a ficar um pouco mais simples sim, e também mais curta, no que se refere a duração e também o número de capítulos. Quem hoje tem tempo de se sentar em frente à TV, durante 5 a 6 meses, uma hora por dia, pra ver novela?  Muito pouca gente. A maioria se divide entre a TV, o computador, o tablet, o celular...

Fábio Dias: Em entrevista ao Jornal O Globo afirmou que uma hora pretende escrever uma novela sozinha. Já pensou em algum projeto solo?
No momento eu só penso em escrever a próxima novela com a Thelma. Meu projeto solo, por enquanto,  é apoiar a minha filha no vestibular, ano que vem.


Com Thelma Guedes


Rafael Barbosa: As vezes uma novela é incompreendida e o público não compra mesmo algumas ideias. Como costuma lidar com eventuais rejeições em uma novela sua? Você encara a novela como um salto no escuro?
A novela é sempre um risco. Por mais que você acredite na sua história, pode ter surpresas e ter que fazer ajustes. Fazer ajustes é normal. O que eu não acredito é em mudar a história toda... A essência da história deve ser mantida.

Rafael Barbosa: Hoje é cada vez maior o público  aficcionado por séries americanas e muitos insistem em comparar com as telenovelas. Você vê essas séries? Se sim, quais costuma ver e de que forma elas podem contribuir como referencia para a nossa telenovela? 
Sim, vejo. Vi Sopranos, Breaking Bad, Dexter, Damages, The Big Bang Theory, estou vendo GOT, Sense 8, Narcos. Adoro! As séries têm alguma situações dramáticas muito boas. Mas novela é folhetim. E como tal, tem as suas características. Há que ter romance, emoção e humor. Os personagens têm que ter dramas morais também. Têm que ter uma humanidade muito profunda pra convencer o público.

Edilson Lopes: Você se inspira em algum(a) outro(a) novelista? Quem são suas referências como autora?
Muitos: Walther G. Dürst, Janete Clair, Dias Gomes, Benedito Ruy Barbosa, Sílvio de Abreu, Aguinaldo Silva, Glória Perez, Carlos Lombardi, Gilberto Braga, Walcyr, João Emanuel Carneiro, Filipe Miguez e Isabel Oliveira.

Rodrigo Ferraz: Tem alguma experiência em teatro e/ou cinema? Caso sim, conte pra nós como foi! Caso não, tem algum projeto na manga em uma dessas áreas??
Não. A TV consome muito. Mas é claro que tenho projetos, ideias que tenho vontade de fazer, vamos ver se arranjo tempo.


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Sobre os entrevistadores:






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