domingo, 6 de dezembro de 2015

Quem foi Marilia Pera pra mim...

Por Rodrigo Ferraz


Primeira vez que vi Marilia Pera foi em Meu Bem Querer. Na novela de Ricardo Linhares, a atriz vivia Custodia uma vilã que manipulava a cidade fictícia de São Tomas de Tras mesmo sem sair de casa, foi uma atuação marcante e magnética que me impactou, na época tinha por volta de 13 anos. O tempo foi passando e novos papéis me marcaram como a debilitada Maria Monforte da maravilhosa minissérie de Maria Adelaide Amaral baseada na obra de Eça de Queiroz: Os Maias, depois veio a falida cambalacheira e soberba Milu de Cobras & Lagartos, entre outros personagens marcantes.

Marilia Pera em diferentes trabalhos, da direita pra esquerda, de cima pra baixo: Pixote, Meu Bem Querer, Os Maias e Cobras & Lagartos

No cinema sempre teve papéis de destaque, talvez o mais valorizado foi a prostituta Sueli em Pixote. Foi mais ou menos em 2009 que a conheci, foi depois do espetáculo Gloriosa, que ela fazia com Guida Viana e Eduardo Galvão, um musical bárbaro em que ela que cantava tão bem. Nesse trabalho, ela fazia a cantora mais desafinada da história, fiz questão de cumprimenta-la, mesmo achando que seria improvável que ela ela estivesse disponível e estava, acompanhado de amigos admiradores dela também, ela foi muito gentil nos ouviu com atenção. Demonstrei por ela o tanto que tinha curiosidade com Roda Viva, antológica montagem que a atriz fizera nos anos de chumbo da ditadura, nos deixou íntimos em uma meia hora de papo, quando estávamos indo embora, já a uns cinquenta metros da porta do teatro, Marília nos chamou no meio da rua tudo porque ela havia lembrado do nome de um ator que havíamos comentado, mas na hora da conversa não nos lembrávamos, poucos artistas fariam isso.

 Davi Kinski, eu, Marilia Pera e Daniel Pepe no dia citado acima

Nos vimos mais poucas vezes, uma delas foi na coletiva de Alô Dolly, um musical lindo (quem quiser ver a critica que fiz clique aqui:, ela reinava e deixava todos brilharem. Esse espetáculo que a atriz fazia, selava mais uma parceria com Miguel Falabella que já havia lhe dado a forte porém frágil Catarina do ótimo seriado A Vida Alheia, a arrogante Maruscka da novela Aquele Beijo, as gêmeas Magda e Magali do solar porém doído filme Polaróides Urbanas e nos últimos anos deu corpo e alma, a talvez ao papel mais desafiante na TV, a hilária Darlene de Pé na Cova, como pensar no seriado e não pensar nela segurando seu copo de gim?? Que perda imensurável é essa, foram 72 anos de muita entrega a arte, afinal desde os quatro meses lá estava no palco! Só tenho a agradecer!!

 Junto com seu grande parceiro: Miguel Falabella nos bastidores de Pé na Cova


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