quinta-feira, 14 de julho de 2016

#LiberdadeLiberdade #EscravaMãe - As vantagens e desvantagens de duas tramas parecidas

Por Rodrigo Ferraz

Uma recomendação que eu dou pra qualquer noveleiro é ser o mais desapegado possível, tanto de remakes tanto de atores favoritos, emissoras, histórias... Liberdade Liberdade e Escrava Mãe tinham tudo pra serem parecidas e de fato são, mas não são idênticas e isso faz um prato cheio pra qualquer noveleiro que gosta de qualidade, boas atuações, um novelo criativo e uma boa direção.

Ambientadas no começo do século XIX, as tramas tem semelhanças além dessa e o que uma trama nessa época significa. Começo exemplificando as personagens Condessa Catarina (Adriana Lessa) e Bertoleza (Sheron Menezes), a primeira como bem enfatizei tem titulo de nobre, é uma mulher altiva, forte, nitidamente é alguém que tem uma leveza (e talvez uma dor oculta), uma história muito forte ainda escondida, a atriz escolhida para o papel não poderia ser melhor, Adriana é daquelas atrizes sempre bem-vindas e ganhou um papel redondinho, é nítida a preocupação da atriz com todos os detalhes para composição desse personagem, promete emocionar muito mais no decorrer da história de Escrava Mãe.



Sheron em Liberdade Liberdade vive uma mulher também rica e negra, filha de figura importante na coroa, ela ao contrário da personagem de Lessa é frágil, porém nobre, a atriz também foi muito bem escalada, as cenas de dor da personagem quando é tratada como escrava foram doloridas, e as cenas de seus conflitos com os escravos também são marcantes. Jussara Freire (na Record) e Maite Proença (na Globo) teriam papéis antagônicos se as personagens não tivessem atração física por escravos, Jussara é outra cereja do bolo na novela da mãe de Isaura, um papel leve, cômico e ao mesmo tempo é uma das vilãs da trama, já Maite é um personagem sofrido mas também é odioso.


E o que falar das vilãs?? Branca, papel de Nathalia Dill é o seu melhor papel na TV, muito bem interpretada a personagem faz rir mesmo sendo asquerosa, ela usa de uma gravidez pra segurar seu herói, só que na verdade quem está gravida é uma prostituta, no canal ao lado Maria Isabel é o papel de Thaís Fersoza, a grande vilã da trama tem tiradas dignas de uma vilã inesquecível e Fersoza também está muito bem e veja você a gravidez que a personagem teve serviu pra uma prostituta tentar segurar o vilão, praticamente o o oposto de Liberdade Liberdade.

Nas tramas principais temos Andreia Horta vivendo sua primeira mocinha na Globo, Joaquina/Rosa é forte, guerreira, justiceira sem ser vingativa, pelo menos por enquanto é tudo isso, tem conflitos não só amorosos e a atriz defende com maestria como praticamente toda sua carreira. Gabriela Moreyra é Juliana, a mãe da escrava mais famosa da nossa teledramaturgia, a atriz está bem, falta um pouco de segurança à atriz, tanto que quando existem cenas de confronto com a personagem de Lidi Lisboa a protagonista sai com ligeira desvantagem.


Destaco também a inesquecível cena de Tolentino (Ricardo Pereira) e Andre (Caio Blat) se entregam a uma noite sútil e intensa de amor, os atores estão bárbaros na trama. Lilia Cabral (Virginia e suas meninas também), Bruno Ferrari, Marco Ricca, Mateus Solano, Dalton Vigh, Leticia Isnard, Juliana Carneiro da Cunha, Chris Couto, Zeze Polessa, Olivia Araujo e Paula Cohen são outras atuações marcantes. Já na trama da Record além dos atores citados também merecem elogios Zeze Motta, Leo Rosa, Fernando Pavão, Roberta Gualda, Cassio Scapin, Adriana Londoño, Beth Coelho, Antonio Petrin e Nayara Justino.

A direção das duas tramas certamente é dos maiores acertos, Vinicius Coimbra responsável por Liberdade Liberdade dirige com uma delicadeza ímpar, ele é cuidadoso com cada cena e muitos planos parecem quadros. Ivan Zettel dirige Escrava Mãe e dirige muito bem, com suporte da Casablanca é das tramas de época da Record mais bem cuidadas certamente. A direção de arte das tramas é cuidadosa, os cenários e figurinos são bonitos. 


As tramas poderiam ter evitado essas comparações, afinal a Record iria exibi-la em novembro, distanciando as tramas, mas como disse elas são parecidas mas longe de serem iguais, a trama da Record é mais clássica, o novelo de Gustavo Reiz, autor de Escrava Mãe é criativo e folhetinesco na raíz, o que é ótimo pra um noveleiro clássico, já a trama das 23h na Globo que tem o texto de Mario Teixeira é uma pseudo novela ousada mas também é muito apegada ao clássico novelo folhetinesco, ambos autores usam textos rebuscados, Reiz um pouco mais é verdade e por se tratarem de tramas de época é um acerto e um risco! Noveleiro que sou, estou gostando muito de ambas, e você o que acha das tramas??!


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