Por Willian Bressan


A primeira vista o título parece contraditório. Como uma novela pode ser sofisticada e ao mesmo popular? Aguinaldo Silva é mestre em criar tramas assim. Para quem vê de fora, trata-se de uma novela popular, feita para o povão, e que não agrada ao público A-B. Essa, porém, é apenas a “Fina Estampa” (não resisti ao trocadilho!) da novela das nove que acabou de estrear. A história é popular, mas a estrutura é sofisticadíssima, e os diálogos trabalhados e rápidos).
Julgar uma novela apenas por seu primeiro capítulo é julgar uma pessoa pela sua aparência. Primeiro capítulo é apenas o cartão de visita. Espera-se seduzir o telespectador e fazer com que ele volte, todos os dias, por oito meses, para acompanhar determinada história. Não se pode – nem deve – julgar uma trama apenas por seu primeiro ou último capítulo. Novela é uma obra aberta, dura 200 capítulos, e deve ser criticada de uma forma contextualizada. O que se pretende aqui, portanto, é apenas uma opinião deste colunista do que foi apresentado no primeiro dia da história que questiona se vale mais a pena ser caráter e decente ou ter boa aparência.

O capítulo iniciou com imagens de um Rio de Janeiro ensolarado e quente e já deu pra notar que “Fina Estampa” é a novela do verão. Mais do que isso, uma novela tipicamente carioca. Edição ágil, jovem e muito dinâmica.
“Fina Estampa” começou como as boas novelas dos anos 80 e 90: simples, mostrando o cotidiano dos personagens, sem a pirotecnia – como sequestro de avião – que se tornou habitual nos primeiros capítulos a partir dos anos 2000. Também já no primeiro capítulo conhecemos os dramas dos núcleos principais e ficamos com vontade de acompanhar a novela. Aliás, novela, não. Novelão como as de antigamente!

Para mim, um ponto fraco é a abertura. Simples demais para a história. Se em “Insensato Coração” tínhamos uma estátua rodando que não dizia quanto à história agora temos uma mulher caminhando em uma sala de espelhos. Lembra um pouco as aberturas de “Brilhante” e “Top Model”. Vazia de conteúdo. Faço aqui uma ressalva: Aguinaldo reclamou durante muito tempo dos temas de aberturas das novelas atuais e acabou escolhendo um instrumental sem graça para a sua abertura. Zeca Pagodinho com um bom samba teria sido bem melhor.
No geral, “Fina Estampa” apresentou um primeiro capítulo exemplar, introduziu os núcleos e seus problemas. Não houve cena morta e nem barriga. O ibope pareceu corresponder já que a nova trama de Aguinaldo Silva deu picos de 44,4 pontos.
Se vai manter o índice e fazer sucesso, só o tempo dirá. Mas o fato é que, apesar de ainda ser cedo, posso dizer que Aguinaldo Silva, como em todos os seus trabalhos anteriores, não me decepcionou.

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