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Turma da Mônica: uma série para jovens e nostálgicos

Por Fábio Leonardo Brito


Protagonistas da série / Reprodução internet

Assisti há alguns dias Turma da Mônica - A Série, no Globoplay, e fui capturado, assim como fui pelos filmes Laços e Lições, erguidos sob a égide do diretor e showrunner do projeto Daniel Rezende, bem como de Thiago Dottori, acompanhado, no segundo filme, de Mariana Zatz.

Nessa série, Mariana é a redatora-final e Dani Rezende segue na direção, de forma que o tom construído é o mesmo: um universo que não é anacrônico, mas é retrô. Um bairro do Limoeiro que guarda traços de bairros residenciais lá dos anos 1960 e 1970, embora a história seja contemporânea em todos os demais aspectos. Claramente é um clima que favorece uma história que se pretende universal, quase atemporal, como a da Turma da Mônica, pelo menos em termos de conceito.



Luiza Gattai como Carminha e Giulia Benite como Mônica/
Reprodução internet

A atemporalidade, no entanto, está apenas nesse clima. A história mostra a turminha em pleno dilema para com as tiranias do tempo. Assim como ocorreu principalmente em Lições, a história é sobre as dores e as delícias de crescer, nesse caso, centrados na entrada efetiva dos personagens na pré-adolescência - fase em que somos velhos demais para antigas brincadeiras, mas jovens demais para conviver com os adolescentes.


Os dois mundos são representados pelo campinho, onde outrora a turma compartilhava experiências e que agora se tornou desinteressante e, por outro lado, a quadra, dominada pelos adolescentes da turma do Bermudão (o Titi de Kauã Martins e o Jeremias de Pedro Souza).


Mariana Ximenes grava como Madame Frufru /
Reprodução internet


Ainda que crescidos, os quatro protagonistas originais mantêm o carisma que lhes imprimiu a atuação de Giulia Benite (Mônica), Laura Rauseo (Magali), Kevin Vechiatto (Cebolinha) e Gabriel Moreira (Cascão). Como pano de fundo para a lida com seus medos e inseguranças, eles são apresentados agora a uma nova personagem, a antagonista Carminha Frufru (Luiza Gattai) e sua mãe, a rica Senhora Frufru (Mariana Ximenes), dona de um gélido olhar julgador e de uma busca obstinada pela perfeição, o que modula a personalidade arrogante de sua filha.


A linha narrativa da série é o mistério sobre quem estragou a festa de Carminha jogando lama sobre ela - ao melhor estilo Carrie, a Estranha. Para tanto, uma investigadora se apresenta, a plugada, antenada e 100% conectada Denise (Becca Guerra, dona e proprietária de 50% do carisma da série).


Becca Guerra, destaque como Denise /
Reprodução internet

Nesse processo, a trama ganha uma quinta protagonista, cuja participação passa a ter o mesmo peso dos quatro demais. É Milena (Emily Nayara), essencial para o desvendar do mistério, e cujo arco dramático compõe com o quarteto etapa fundamental para o desenrolar da ideia dominante da atração.


Emily Nayara Como MIlena, a 5ª protagonista /
Reprodução internet


Os demais personagens, apresentados ao longo dos filmes anteriores, aqui também compõem um quadro nostálgico para os fãs dos gibis. Temos a delicada Marina (Lais Villela), os irmãos Nimbus (Rodrigo Kenji) e Do Contra (Vinicius Higo, excelente escalação de um ator de descendência oriental), Humberto (Lucas Infante) e Quinzinho (Pedro Henriques Motta). No campo dos personagens adultos clássicos, se os filmes nos trouxeram Paulo Vilhena como Seu Cebola, Mônica Iozzi como Luísa (mãe da Mônica), Rodrigo Santoro como o Louco e Isabelle Drummond como Tina, temos agora ninguém menos que Fernando Caruso como Feitoso, o estranho tio de Cascão, antissocial e avesso a banhos, cuja identidade de um personagem bem conhecido das HQs se revela mais para o final.


Fernando Caruso como Feitoso / Reprodução internet

O filme, além de Carrie, a Estranha, apresenta diversos outros ester-eggs ao mundo pop, capazes de atrair tanto um público mais jovem quanto mais experiente. O caso também se encontra na excelente referência visual a Stranger Things.


Uma explosão de sentimentos, história deliciosa, direção impecável e lágrimas que escorrem dos olhos dos apaixonados pela turminha são marcas dessa série que, além de tudo isso, é uma aula de roteiro. Divertida e necessária!


Turma reunida / Reprodução internet


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Autor: Fábio Leonardo Brito 

Dramaturgo e professor universitário de História. Mora em Teresina (PI). Tem interesses em temas ligados a cinema, música, comportamentos juvenis, teledramaturgia e cultura em geral

 

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