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TWITTER TORNA-SE A MECA DOS NOVELEIROS


Por Júnior Bueno
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A telenovela, paixão incontestável dos brasileiros, completa exatos 60 anos no próximo dia 21. Desde que foi ao ar em 1951 o primeiro folhetim, Sua vida me pertence, pela extinta TV Tupi até os dias de hoje, as novelas são a nossa principal atração televisiva, se tornaram um negócio em torno do qual giram bilhões e assim como o futebol e o Carnaval, formam a identidade do Brasil no exterior. E dos primórdios da televisão aos dias de hoje a forma de ver novela evoluiu junto com a própria televisão. Antes as pessoas se aglomeravam nas salas de quem tinha um aparelho para acompanhar a novela (o famoso “televizinho”). Depois por décadas, o sofá em frente à TV era onde a família se reunia no fim do dia. Com o aumento do poder aquisitivo da classe média, a partir do plano Real, as famílias passaram a ter de mais de um aparelho de TV em casa e nos dias de hoje é possível assistir aos capítulos pela internet, via tablets ou celular.




Mas mesmo com essas mudanças, a mania nacional de ver novela não diminuiu, pelo contrário, e isso pode ser observado em redes sociais. Internautas criam grupos de discussão sobre as tramas da TV no Facebook; postam vídeos com cenas de novelas atuais e antigas, algumas curiosas e raras no Youtube; e no Twitter, todos os dias colocam novelas e personagens entre os TTs (trend topics, os assuntos mais comentados no site). Neste último caso, o microblog, que se popularizou no Brasil em meados de 2007, se tornou ponto de encontro de noveleiros que através do site fazem em tempo real o que antes só era possível no dia seguinte no trabalho: comentar as novelas!

Essa nova mania agrega pessoas de idades, classes e lugares diferentes que se vêem conectadas por um fato comum, naquele momento estão vendo o mesmo capítulo, a mesma cena, a mesma novela. E comentando, criticando, elogiando, ou fazendo piada do que estão vendo. Em apenas 140 caracteres sobra criatividade por parte dos usuários, que twittam com seus nomes reais, pseudônimos ou até mesmo perfis com nome de personagens de novela, os famosos fakes, como o @mordomoeugenio que homenageia o cinéfilo mordomo dos Roitmann de Vale tudo e @dona_valentina, a velha cafetina de Passione.


Um dos que assumem a própria identidade na rede é Nilson Xavier, autor do livro Almanaque da telenovela brasileira e criador do site Teledramaturgia, onde reúne informações sobre todas as tramas exibidas no gênero até hoje. Seu perfil no twitter @Teledramaturgia tem milhares de seguidores que podem ler diariamente tiradas interessantes sobre as novelas. Para ele, twittar enquanto vê novela torna o hábito muito mais divertido: “Dividir minha opinião, muitas vezes ácida, com os demais telespectadores mudou minha forma de ver novela, essa troca é estimulante”. Mas apesar disso, Nilson não acredita que o Twitter influencie o modo de todos os brasileiros assistirem novelas, tanto pelo perfil do telespectador, que é mais tradicional, quanto pelo baixo percentual de brasileiros conectados à internet.


A primeira vez que a internet foi abordada numa novela de TV foi em Explode Coração de 1995, e a chamada rede mundial de computadores era abordada como um achado quase milagroso. Anos depois, Por amor (1997) foi a primeira trama a merecer uma comunidade virtual, o site Eu odeio a Eduarda, destinado a achincalhar a personagem chatinha de Gabriela Duarte. Daí em diante o flerte entre a TV e a internet evoluiu para um casamento hoje indissolúvel. Toda trama lançada em TV tem seu site próprio e perfil nas redes sociais. E com essa interação o público está mais perto dos profissionais de TV e vice-versa. As emissoras estão de olho no potencial desta audiência, e sempre tentam atrair a atenção deste público, uma vez que cair nas graças dos internautas significa ter publicidade gratuita.

E os próprios autores de novela lançam mão do expediente para medir a popularidade de suas tramas. Aguinaldo Silva (@aguinaldaosilva), autor da atual trama das nove, Fina estampa e de sucessos como Senhora do destino e Tieta, sempre comenta no Twitter as posições que a novela e os personagens alcançaram nos TTs e divulga os números que a novela alcançou no Ibope. O autor ainda usa o blog para outros fins: alfinetar seus desafetos e adiantar novidades para os fãs. Mas também há também criadores que simplesmente usam a ferramenta para acompanhar em tempo real a reação que sua criação causa no público. Esse é o caso de Vítor de Oliveira (@vitorolive), colaborador do remake de O astro, que comentou a novela junto com seus seguidores: “Foi incrível e também impressionante o fato de muita gente conseguir captar as inúmeras referências do texto. E, claro, esse retorno em tempo real foi importantíssimo pra termos noção do que estava agradando ao público”.

Outro ponto a ser destacado é o sucesso que as reprises de novelas clássicas alcançou entre os twitteiros. Vale tudo, de 1988, que este ano foi ao ar novamente no canal a cabo Viva, movimentou a rede, e apesar de ir ao ar às 00:45, chegava aos assuntos mais comentados no Twitter mundial. Em entrevista ao portal UOL, a atriz Regina Duarte, protagonista da trama agradeceu “ao pessoal do Twitter” pelo sucesso da reprise. Esse sucesso certamente agradou a direção do canal que providenciou a reprise de Vamp (1991) e Roque Santeiro (1985), logo na sequência. Na semana passada o canal trouxe de volta Barriga de aluguel (1990) e neste mês reestreia Top model (1988). Essas reprises, além de agradar saudosistas que podem rever tramas inesquecíveis também, chama a atenção de noveleiros mais jovens curiosos para acompanhar novelas tão famosas.

Assim como o surgimento da TV causou medo por ser uma ameaça ao rádio e ao cinema, a popularização da internet alarmou quem temia pelo fim da TV. É fato que a internet tornou a TV mais dinâmica e neste momento ela se encontra em permanente mudança. Mas no que depender dos noveleiros do Twitter, a telenovela causará paixão por muitos anos.




Quer entrar pra essa turma? Corre pro nosso twitter que tá todo mundo lá.
*Matéria originalmente publicada no Jornal O Hoje de Goiânia em 11/12/2011


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