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Hermila Guedes, Rodolfo Mesquita e Teca Pereira atores de Segunda Chamada falam sobre o que podemos esperar de Segunda Chamada e outros momentos da carreira

Por Rodrigo Ferraz


Hoje estreia Segunda Chamada, um seriado que é dos projetos mais aguardados do ano na Rede Globo. A série fala sobre o ensino público no Brasil, o elenco foi escalado a dedo, e tive o prazer de papear com 3 atores do projeto: Hermila Guedes, Rodolfo Mesquita e Teca Pereira. Hermila viverá uma das professoras, Rodolfo um bedel que acumula funções e Teca será uma das alunas. No papo falamos sobre a série principalmente mas também outros momentos marcantes da carreira deles!

Hermila Guedes, ela vive a professora Sonia

Como surgiu a oportunidade de fazer Segunda Chamada? Detalha pra gente!
Conheci a Joana Jabace fazendo  a série Assédio, a Amora Mautner dirigiu mas grande parte das cenas da Maria José, minha personagem foi dirigida pela Joana, e aí surgiu um teste pra fazer a Sônia, eu fiz e passei! Um dos motivos para estar em Segunda Chamada é porque gostei muito da direção dela, quando eu soube que era um projeto dela eu fiquei bem feliz de surgir uma nova oportunidade de trabalharmos novamente mais uma vez, eu acho que ela tem uma direção muito sensível, é uma pessoa muito afetuosa! De alguma maneira isso me ajudou na construção da personagem Sônia!

Conta pra gente, quem é a Sonia?
Sônia é uma professora super batalhadora, mãe de dois filhos e tem um casamento infeliz. Está passando por dificuldades, morando de favor na casa da sogra mas segue sua vida com todos esses percalços e apesar de parecer uma pessoa amargurada ainda sonha com uma vida melhor. A personagem Sônia vai aos poucos se transformando, quando se depara com as dificuldades dos seus alunos. Assim ela vai  reconhecendo seus problemas e tentando superá-los se inspirando na força que eles têm. Ela descobre que eles têm muito a ensiná-la.

Qual momento mais inesquecível pra você dessa primeira temporada?
As cenas de violência doméstica me marcaram muito. Vivenciei isso na infância com minha família. Não foram cenas fáceis de fazer. Mas gosto da ideia de compartilhar um pouco da minha história de vida, dar voz a uma personagem tão especial que é a Sônia e poder de alguma maneira encorajar as mulheres a denunciar essas agressões.

A maioria dos seus papéis mais marcantes foram no cinema,não? Quais papéis mais te marcaram??
Todas as minhas personagens eu sou apaixonada e cada uma delas tiveram suas particularidades e desafios mas destaco aqui a Suely do Céu de Suely e Pamela de Deserto Feliz ambas no cinema.

E sua carreira no teatro? Conte algum ou alguns momentos marcantes...
Bom... Teatro é um exercício necessário para o ator. Mas confesso não ser meu forte. Participo de um Grupo de Teatro aqui em Recife super importante na cena teatral local e que é minha grande escola. O grupo é o Coletivo Angu de Teatro estamos na ativa há dezesseis anos. Destaco Essa Febre não Passa, Marcondes Lima quem dirigiu como dirige a maioria das nossas peças. No elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Gheuza Sena, Ivo Barreto, eu Hermila Guedes, Tadeu Gondim, Marcondes Lima somos os fundadores do grupo. Já Lili Rocha, Ninive Caldas e Luiz Caos novos integrantes do grupo! Somos todos atores pernambucanos e um argentino!

Pra finalizar, qual seria o papel dos seus sonhos? Independente do veículo...
Ter o privilégio de através da arte  ter transformado a minha história já é um sonho. Todas as personagens que pude vivenciar me ensinaram muito. Então a personagem do sonho é a que estar por vir. Aquela que saberei que sempre terei algo a aprender com ela.


Rodolfo Mesquita, ele vive Russo, um bedel com várias funções no colégio

Como surgiu a oportunidade de fazer Segunda Chamada?? Detalha pra gente!
A oportunidade surgiu porque a Julia Spadaccini (uma das autoras) me indicou pra produtora de elenco, a Vanessa Veiga e olha que ela achava que eu não tinha muito o perfil do personagem...

Quem é o Russo, seu personagem?
Ele acumula três funções na escola, o que não deixa de ser a realidade, ele é o porteiro, inspetor e faxineiro sendo que ele é chamado de inspetor Russo, apesar de não ser falado disso, acredito pelo corte de verbas da educação ele acumulou, a escola é sucateada, que é uma escola pública, o ensino noturno se torna mais sucateado ainda, o resto do resto do resto... Mostra essa realidade, ele ta lá convivendo com os professores, alunos e ele acaba sabendo de tudo, mas não fica algo explicito na série. Ele participa de momento importantes, de revelações, ele é o portador, ele fala com alguém como ponte, ligando personagens em alguns momentos, não o tempo todo, mas às vezes acontece isso, ele é um ser da escola, é como vocês aí de São Paulo chamam, o bedel, o (José) Trassi me chamava assim, acho que é isso, ele é muito discreto, se ele sabe ele não fala!

Qual momento mais inesquecível pra você dessa primeira temporada?
É difícil escolher um momento, pois foram muitos que tivemos durante a primeira temporada que vai estar guardada para sempre na minha memória pra sempre, tem algumas cenas especificamente que mexeu comigo, muito tocantes pra mim como ator, mas o que não vou esquecer são as pessoas que eu conheci além dos atores e atrizes que trabalham comigo os seres humanos que eu pude conviver, o fato de eu morar em São Paulo pela primeira vez por um tempo, de me apaixonar pela cidade! Na série sou muito grato por conhecer pessoas como Debora (Bloch), Paulo (Gorgulho), Thalita (Carauta), Hermila(Guedes), Silvinho(Guindane) eu já conhecia estreitamos nossa amizade... Se eu detalhar algumas cenas darei spoiler! Minha primeira cena foi com o Paulo e a Debora no dia 010/5/2019, eu não vou esquecer. Eu estava extremamente nervoso, mas eles me deixaram tranquilos. A Joana (Jabace), que além de ser uma baita diretora é uma querida, ela deixa a gente muito a vontade, ela tem uma forma de trabalhar muito interessante, ela fala no seu ouvido o que ela quer falar, ela fala não fica gritando no microfone, essa técnica parece que entra mais fácil pois só você escutou, se você erra a única pessoa que sabe disso é ela, os outros diretores muito cuidadosos, sempre primando pelo desempenho do ator, isso é raro e um luxo!

A maioria dos seus trabalhos foram pautados pelo teatro, quais são as semelhanças e diferenças que você vê entre eles?
Meu trabalho foi por muitos anos mais pautado no teatro, não que eu não tenha feito TV, como você bem disse do inicio ao fim, sempre foram participações, o mais longo antes disso acho que foi Milagres de Jesus que eu assinei um mini contrato de um mês com a Record. Acho que a semelhança é a emoção, a emoção é a mesma só que condensada, quando a gente chega na televisão a gente escuta aqui tem que ser menos, na verdade não é menos o que a gente faz na televisão comparando com teatro o que a gente faz mais no teatro é a intensidade dos gestos, do falar, o mais diferente nessa série é que como era muito realista, muito natural, não era legal se a gente valorizasse muito as palavras, não existiam muitas pausas, era o tempo da vida, o normal, até porque na vida você não sublinha palavras, a intenção ta ali com você e você joga isso sem fazer nada, depois que a gente a via que se você joga o texto mas com intenção vai passar verdade e o que te pedem, o que o texto ta pedindo. Tem uma cena que eu assisti na coletiva que passa no trailer da série atrás do ator Edmilson, que faz o marido da Jurema (Teca Pereira), eu chego atrás dele, uma amiga viu a cena como foi potente minha expressão, perguntei o que você acha que ele tava fazendo, ela disse que achava que ele tinha deixado o cara entrar e não podia, exatamente, ela tinha acertado, eu não fiz nada e só cheguei e quando fiz tava em dúvida se tinha feito, no teatro seria algo mais exagerado, acho que basicamente é isso!

Como disse sua carreira no teatro é vasta, qual você considera o momento mais marcante nos palcos? Ou os mais??
Dificil responder porque eu faço teatro há 30 anos, eu conto desde os 15 quando comecei na minha cidade, são 25 de carreira profissional e 5 como ator amador. São vários momentos. Um deles foi quando eu me formei da UniRio do curso de Artes Cênicas e eu tive o prazer de fazer um autor que eu adoro, Beijo no Asfalto de Nelson Rodrigues, ela foi só acadêmica mas pude fazer o Arandir e foi um momento marcante, tava fechando um ciclo e começando um profissional, e logo que eu saí logo depois do Beijo eu fui convidado para um teste profissional na peça O Homem que viu o Disco Voador com o Paulo Betti, Vera Farjado, Paulo Giardini e Hebe Cabral, um texto inédito do Flávio Márcio e quem dirigiu foi o Aderbal Freire Filho, quem me indicou foi o Paulo Giardini, fiz a leitura com o elenco na época não era a Hebe quem faria sim a Suely Franco que acabou saindo depois, logo depois do teste o Aderbal disse: "Então nos encontramos amanhã??!" não acreditei no primeiro momento, fiquei muito feliz, tinha 27 anos, trabalhar com todos eles me deu uma esperança, foi uma época em que o teatro estava com muito patrocínio. Poderia citar vários outros exemplos mas vou citar a última peça que fiz que foi direção do Walter Lima Jr, outro diretor fantástico que eu tive a honra de trabalhar em Agora e Na Hora foi pela segunda vez porque na primeira ele teve que sair, meus parceiros de cena eram o Andre Gonçalves e a Amandha Lee eu testei várias possibilidades do ator que eu poderia ser, consegui me redescobrir!

Finaliza contando pra gente qual seria o papel dos seus sonhos? Independente do veículo...
Eu nunca tive o papel que eu queria fazer, eu realmente nunca pensei ah eu quero fazer determinado personagem, eu quero fazer todos personagens possíveis e inimagináveis, é claro que com a idade que eu tô não da pra fazer alguns! Fiz Romeu na banca da UniRio, isso significa que eu mandei bem né? Já que eu passei... Fiz o Arandir do Beijo do Asfalto, fiz o Leleco de Boca de Ouro com o Felipe Camargo, como disse quero fazer todos, todos que puder, todos são importantes, todos eu colocarei um pouco do que não fiz em outros! O trabalho do ator é fantástico porque podemos viver tudo num mesmo personagem, o ser humano é muito vasto, não podemos rotular por uma característica. Com o Russo por exemplo eu experimentei coisas novas e outras que já tinha feito! Isso é reflexo de tudo que você já viu na vida como ser humano e como artista!

Teca Pereira, é a aluna Jurema

Como surgiu a oportunidade de fazer Segunda Chamada?? Detalha pra gente!
Bem, fui chamada pra um teste pela Letícia Naveira da Globo. Mandaram o texto da Jurema mesmo (a personagem que interpreto na série. Como sempre fiquei nervosa mas pelo jeito até ajudou.

Quem é a Jurema?
Uma dona de casa simples, católica já tem 70 anos e resolveu voltar a estudar, depois de  se dedicar ao marido e aos 4 filhos. Derrubou uma barreira com coragem e determinação. Precisava provar a si mesma que conseguiria para mudar de vida e ser alguém melhor.

Qual momento mais inesquecível pra você dessa primeira temporada?
Quando ela enfrenta o marido, vivido pelo Edmilson Cordeiro.... Não posso detalhar mais!

A maioria dos seus trabalhos foram no teatro, mas a tv recentemente parece que te descobriu, conta pra gente o começo disso e que momentos você guarda com mais carinho?
O teatro foi o começo de tudo. Estreei na Gôta D'Água,  com nada mais nada menos que Bibi Ferreira. Eu era bailarina e entrei pra fazer o coro. Dali pra frente, fiz algumas outras peças de teatro, dentre elas Vanya, Sônia, Masha & Spike direção do Jorge Takla, onde fui indicada como atriz coadjuvante. Fiz alguns curtas,  um filme que está pra estrear sobre a vida do Popó e participações em novelas, Belíssima, Passione. Depois vários seriados e especiais como Os Experientes, Carandiru Outras Histórias,  13 Dias Longe do Sol e agora Segunda Chamada. Guardo todos os trabalhos com carinho. Todos foram importantes e me deram mto prazer em participar deles. Mas se algum que me marcou mais foi Belíssima,  quando contracenei com Fernanda Montenegro! Fui indicada com uma peça infantil no Prêmio Mambembe "Uma Dama e Um Vagabundo,  O Amor é Osso Duro de Roer" no Teatro Imprensa. Depois fui indicada e ganhei o Mambembe de 1997  como atriz coadjuvante com a peça "Direitos das Crianças" com direção só Roberto Lage no Teatro Gazeta. Quanto aos seriados, como é outra linguagem, aprendi e continuo a aprender bastante. Me desafia e isso me atrai muito. Ser desfiada é minha meta. Pra quem já foi Papa Burger do Mac Donald's. Magali da turma da Mônica em Shopping pelo país,  isso só me trouxe muita experiência.

Como disse sua carreira no teatro é vasta, qual você considera o momento mais marcante nos palcos?
Bem, a personagem que mais me empolgou e me deu prazer foi a Cassandra de Vanya, Sônia,  Masha &Spike.  Era onde eu tinha oportunidade de me soltar e me divertir. A personagem era mto boa. Baseada na Cassandra da mitologia,  só que de maneira hilária.  Sinto saudades dela.

Qual seria o papel dos seus sonhos independente o veículo??
De uns tempos pra cá,  ando querendo fazer algum papel em TV onde a minha participação seja mais efetiva, que tenha a ver com o conflito. Chega de pobre, ou empregada, ou bandida. Algum papel menos ligado a etnia,  que infelizmente são sempre subalternos. O papel dos sonhos, seria onde eu pudesse exercer tudo que o diretor puder tirar de mim. Que me desafie enquanto atriz. Personagem forte e que faça diferença na trama. Comédia,  drama, terror. O que vier.

E outras funções, a Teca já pensou em ser dramaturga ou diretora também?
Já.  Tenho um texto inscrito na Rouanet onde não atuo,  só vou dirigir. O que falta é a grana. Escrevi em 2004. Sobre meio ambiente. Super atual. É um conto de fadas meio fantástico.  Não tenho elenco ainda definido. Músicas compostas especialmente pra peça. Materiais de cenário e figurinos recicláveis. Super bonito. Sem grana nada feito.

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