sexta-feira, 14 de junho de 2019

Shippados: para além de fazer rir, Tatá Werneck e Eduardo Sterblich comovem com seus personagens em nova série da Globoplay.

Por Rafael Barbosa

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“Shippados”, nova série de Fernanda Young e Alexandre Machado produzida para o Globoplay, pode, simplesmente, ser definida como uma história de amor, mas não um amor romântico. Pelo contrário, a série acerta justamente ao retratar um amor real, possível, com todas as suas imperfeições e desafios inerentes. 

Considerando o histórico da dupla de autores e as presenças de Tatá Werneck e Eduardo Sterblich, dois dos maiores comediantes da atualidade, era natural esperar uma comédia rasgada sobre o dia a dia de mais um casal disfuncional, vivendo as mais diversas situações cômicas. Em resumo, a série até é sobre isso, mas “Shippados” consegue ir além, ao transcender a pura comédia e tocar o coração de quem assiste. 

Se em seus últimos trabalhos, Young e Machado percorreram por caminhos diferentes com “O dentista Mascarado” e "Vade Retro", apostando alto na pura farsa e no fantástico, aqui eles retomam uma narrativa mais simples, centrada no cotidiano e nas relações humanas. Simples, mas capaz de proporcionar uma grande experiência emocional. O texto da dupla, como se espera, é provocador e extremamente engraçado, mas, ao mesmo tempo, sublinha a melancolia carregada pelas personagens. 


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A força dos personagens

 A grande força do roteiro está na construção dos perfis de Rita (Tatá) e Enzo (Sterblitch). Ela é insegura, um tanto amarga e carrega um vazio existencial provocado pelo abandono do pai e a criação de uma mãe desnaturada. Ele por sua vez, é apresentado como um típico “loser”, com boas doses de baixa autoestima. No entanto, eles não escondem suas esquisitices, são autênticos, o que permite uma rápida identificação. 

Tatá e Sterblich estão excelentes em cena. As facilidades proporcionadas pelos aplicativos de encontro não são capazes de satisfazer as expectativas do casal. O efeito acaba sendo o contrário, ampliando seus traumas, neuroses e o sentimento de não se encaixar em nenhum lugar. A partir disso, quando se encontram, descobrem coisas em comum e decidem testar-se juntos. 

A narrativa da série se concentra em mostrar como esses dois indivíduos lidam com suas questões e a busca deles para se encaixar um, na vida do outro. Os dois se aproximam a princípio pela carência e solidão de cada um, mas depois, aos poucos, o amor se desenvolve, exigindo que eles se esforcem para fazer dar certo. 

O humor da série emerge da realidade do casal protagonista. Não é forçado ou superficial, independe de uma trilha sonora cômica e de piadas feitas exclusivamente para rir. Ele é uma consequência das situações e das próprias características dos personagens. Aqui, vale mencionar a direção artística de Patrícia Pedrosa e equipe, muito competente e que traz uma atmosfera diferente de outras obras do gênero, quase poética, ressaltando a personalidade dos personagens. 

O teor crítico do humor na série fica por conta dos relacionamentos contemporâneos mediados pela tecnologia, com direito aos personagens recorrendo a um tutorial de internet, “os 12 passos para saber se você está em um relacionamento sério”, dentre outras coisas do tipo. 

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Elenco 

Tatá Werneck não deixa de ser “Tatá Werneck”, mas em “Shippados” ela consegue atingir uma profundidade ainda não vista em nenhuma de suas personagens nas novelas. Rita faz gargalhar, mas, é possível também chorar com ela. É um tipo muito rico e Tatá consegue transmitir tudo com muita verdade. Não está menos que genial. 

Eduardo Sterblich também está impecável com seu Enzo. Entrega um trabalho de composição muito bem feito. Particularmente, é o meu personagem favorito. É impossível não se identificar e não se comover com o rapaz. Enzo é o típico esquisito, inteligente e ingênuo ao mesmo tempo, e extremamente doce. Edu dá conta de todas as nuances do papel com maestria, provando ser um grande ator. 

Luís Lobianco, Clarice Falcão, Júlia Rabello, Rafael Queiroga e Yara de Novaes completam o elenco. Yara tem a missão de viver a mãe tóxica de Rita, e protagoniza grandes cenas. Já os outros formam outros dois divertidíssimos casais com suas próprias questões. Todos estão especialmente ótimos, iluminam a tela e contribuem para o ótimo conjunto. 

Diante de tudo isso, fica a expectativa para que em uma segunda temporada, a série consiga aprofundar mais os coadjuvantes e apresentar novos conflitos para Rita e Enzo. Shippados tem um grande potencial para isso. Até aqui, é um dos maiores acertos do Globoplay. Uma excelente opção para quem quer rir e se emocionar. 

Ps: Somos todos #Rizo

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Sobre o autor


sexta-feira, 7 de junho de 2019

DRoPs 69 - Novidades culturais, curtas e finas

Por Rodrigo Ferraz

~> Começamos o Drops anunciando a segunda e aguardada temporada de Elza. A temporada será curtinha então já coloca na agenda que estreia dia 20 de junho no Teatro Sergio Cardoso o elogiado musical em homenagem a Elza Soares. Dizem ser emocionante, eu não vou perder! Os ingressos variam de R$15 à R$150. Quinta à Sábado 20h e Domingo às 17h.

~> Dolores é o segundo texto do ator Marcelo Várzea como dramaturgo, dessa vez ele dirige o monólogo Dolores com a atriz Lara Córdulla no Instituto Cultural Copobianco, às Terças e Quartas com ingresso no valor inteira de R$40.


~> Estreou ontem em curtíssima temporada Vem Buscar-me que Ainda sou Teu. O elenco é formado por Bete Dorgam, Ian Soffedini, Yael Pecarovitch, Clovys Torres, Luiza Albuquerques, Fernando Nitsch, Laura La Padula e Tito Soffredini. A peça está sendo encenada no Itaú Cultural até domingo com ingressos gratuitos. Hoje e amanhã às 20h e Domingo 19h.

 

~> Amanda Acosta comanda um elenco super entrosado e intenso em As Cangaceiras. Um musical genuinamente brasileiro, as músicas são ótimas, e as atuações impecáveis. Para quem acha que musical muitas vezes tem dramaturgia rasa, essa escrita por Newton Moreno é incrível. Os ingressos são gratuitos, mas antes você tem que fazer uma reserva pelo site www.centroculturalfiesp.com.br. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 30 minutos antes do início da sessão. Quinta à Sábado 20h e Domingo é às 19h.


~> Outro musical que estará em cartaz esse mês é Cole Porter - Ele Nunca Disse Que Me Amava é um espetáculo original da dupla Möeller & Botelho sobre a vida e obra de um dos maiores artistas de todos os tempos: o compositor norte-americano Cole Porter (1891-1964). No elenco da atual montagem estão três atrizes que participaram do espetáculo original: Alessandra Verney, Gottsha e Stella Maria Rodrigues. Elas dividem a cena com as atrizes Malu Rodrigues, Analu Pimenta e Bel Lima. Sextas e Sábados 21h e Domingo 19h. Os ingressos variam de R$30 à R$120.

~> Quem segue em cartaz no teatro Eva Hertz é Aeroplanos peça que fala como a amizade é valiosa independente da idade. Antonio Petrin e Roberto Arduin emocionam. Terças e quartas feiras sempre às 21h e o ingresso ta baratinho, 10 reais (meia) e 20 reais (inteira).

~> Encerro o Drops com a presença ilustre de Sara Sarres, vamos ao nosso papo?



Quem ainda quer ver a peça corre lá... Sexta 20h30, Sábado 15h e 20h e Domingo 14h e 18h30 no teatro Alfa. E os ingressos variam de R$37,50 à R$310.


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Sobre o autor


segunda-feira, 27 de maio de 2019

"Amor de Mãe tem tudo para ser um estouro." afirma Ricardo Linhares em entrevista exclusiva, confira!


Ricardo Linhares que é de casa e dispensa apresentações respondeu uma entrevista para o site recentemente. Confira abaixo curiosidades de seu último trabalho no ar e novidades de futuros projetos como Os Experientes, sua supervisão em Amor de Mãe e na Malhação 2020.

Fábio Dias: O livro Se eu Fechar os Olhos Agora foi apenas uma inspiração ou uma fiel adaptação? Conte sobre as mudanças e o que foi mais inspirado no livro.
Resposta: O livro do Edney é excelente. Eu o li quando foi lançado e logo senti que havia uma ótima base para uma série. Fiquei encantado pela amizade de Paulo (João Gabriel D’Aleluia) e Eduardo (Xande Valois); o delicado processo de amadurecimento dos garotos ao se deparar com a crueldade de certos fatos da vida adulta; e como as dificuldades que enfrentam os unem mais, fortalecendo a cumplicidade, que estava acima de diferenças sociais e do racismo dominante naquela sociedade. Mas cada meio tem a sua especificidade narrativa. O livro não tinha fôlego para uma série de 10 capítulos. Eu tive total liberdade para mudar tudo o que senti que era necessário para a trama ter mais mistérios, mais viradas e revelações. Eu mato praticamente um personagem por capítulo, gerando um clima de maior tensão e expectativa de quem será a próxima vítima. Criei personagens que não haviam no livro, como Adalgisa, ex-miss Distrito Federal (Mariana Ximenes); Edson (Gabriel Falcão); a menina Vera Lúcia (Julia Svacina); o repórter Cassiano (Pierre Baitelli); o fotógrafo Rui (Bernardo Bibancos); Danilo (Vitor Thiré), secretário do bispo, entre outros. Cresci alguns personagens como Geraldo (Gabriel Braga Nunes) e Dom Tadeu (Jonas Bloch). Inventei laços de família para Paulo e Madalena (Ruth de Souza), o romance pré-adolescente de Eduardo e Vera Lúcia, o triângulo de Cecília (Marcela Fetter), Renato (Enzo Romani) e Edson. Imaginei uma forte motivação para Ubiratan (Antonio Fagundes) investigar os crimes e bolei um passado para a Irmã Maria Rosa (Lidi Lisboa). Também mudei o desfecho do livro. Quem já leu o livro, portanto, terá muitas surpresas ao assistir à série. Mas, acima de tudo, fui fiel ao tom do romance, o que será facilmente reconhecido pelo leitor/espectador.

Rodrigo Ferraz: Vidas Provisórias de Edney Silvestre é como se fosse uma continuação de Se Eu Fechar os Olhos Agora... Você pensa em adaptar também? Quando te deu o click que você que transformar em um projeto pra TV o livro?
Resposta: Quem dera, no Brasil, houvesse mercado e dinheiro para muitas adaptações e obras originais! Nós estamos vivendo uma tremenda crise financeira que impactou a produção audiovisual. E logo no momento em que o nosso mercado está começando a se expandir. Ideias e projetos não faltam, a mim e a dezenas de escritores e diretores. Mas nosso mercado ainda é pequeno e a produção precisa ser seletiva e economicamente viável, e também ter a exibição assegurada. Genericamente falando, incluindo emissoras abertas, cabo e streaming, de cada 100 bons projetos apenas 1 é realizado. Não produzimos tipo umas 300 séries por ano como nos Estados Unidos. Eu adoraria dar continuidade a Se eu fechar... seja com Vidas Provisórias ou criando uma trama original, aproveitando os personagens. Embora o programa tenha sido originalmente concebido como uma minissérie, sem continuação. Eu estou trabalhando em duas supervisões de texto de novelas e em dois projetos pessoais. Mas se a emissora topar, eu arregaço as mangas agora mesmo.

Júnior Bueno: Como é o processo de fazer um romance ganhar as telas em forma de capítulos? Você se policia para não tomar muitas liberdades ou prefere seguir sua intuição?
Resposta: O romance do Edney foi o ponto de partida, mas a teledramaturgia tem uma narrativa própria, totalmente diferente da literatura. Livro é palavra, roteiro é ação. O que é descrito num livro precisa ser traduzido em movimento, gerando a expectativa de acompanhar aquela trama de uma outra forma e num outro ritmo. A palavra escrita tem encantamento. A imaginação do leitor vai preenchendo certos espaços que o escritor não especifica muito. Mas num roteiro o comprometimento do espectador é outro. As motivações dos personagens precisam ser mais fortes para gerar outra espécie de credibilidade. Em Se eu fechar... o melhor exemplo é o de Ubiratan. No livro, funciona bem: era um velhinho que se interessava pelos crimes por causa do tédio na vida do asilo. Eu senti que isso era pouco como motivação. Não renderia gancho de final de capítulo nem criaria vínculo emocional entre ele e os demais personagens. Então, inventei um passado para Ubiratan e uma forte motivação para ele se mudar para aquela cidadezinha, se esconder no asilo e investigar a morte de Anita. Assim, ele passou a se envolver mais na trama. Ele corre perigo. Não está ali à toa. Em vez de tédio, o que impulsiona suas ações é a sua emoção, o seu coração. Sem todas as liberdades que tomei, não haveria tramas, segredos e reviravoltas para sustentar 10 capítulos. O grande desafio do adaptador é ser fiel ao tom da obra original. Quem se interessa pelo assunto, pode ler o livro e acompanhar a série ao mesmo tempo. Para dar outro exemplo para os interessados no processo de adaptação, há o bom livro Me chame pelo seu nome, escrito por André Aciman, que James Ivory transmutou num roteiro maravilhoso, ganhador do Oscar de melhor roteiro adaptado, em 2018. Quem leu o livro, sabe que Ivory tomou muitas liberdades para construir uma narrativa cinematográfica, o que é bem diferente de uma narrativa literária. Em Tieta, que Aguinaldo, Ana Maria e eu adaptamos, em 1989, o ponto de partida é o livro de Jorge Amado, mas o recheio dos quase duzentos capítulos da novela é criação original nossa. Para quem curte o tema, eu sempre sugiro que leia o livro que gerou uma adaptação, enquanto assiste ao filme, à série ou à novela.


Júnior Bueno: Se eu fechar os olhos agora estreou primeiro no streaming pra só depois vir para a TV aberta. Para você há alguma diferença entre os públicos das duas plataformas? Como você avalia este mercado que tem surgido?
Resposta: O streaming é poderoso e veio para ficar. Mas ainda está evoluindo e se popularizando. O Brasil não é a Zona Sul do Rio nem os Jardins de São Paulo. Num país com tantas dificuldades econômicas como o nosso, o streaming ainda está fora do alcance para grande parte da população, que não tem acesso uma boa internet, quando tem internet. Claro que o panorama está mudando, e hoje em dia a velocidade das mudanças é altíssima. Mas a plataforma ainda é restrita e atinge um público segmentado. Portanto, o espectador do streaming não é o mesmo do cabo nem o mesmo da TV aberta. Quem assistiu à série no lançamento no NOW da Net não é o mesmo espectador que está assistindo agora no Globoplay. Embora ambos sejam transmitidos pela internet, são “canais” diferentes, digamos assim. Quem paga o acesso ao NOW não necessariamente paga o acesso ao Globoplay, e vice-versa. Tampouco é o mesmo público que assistirá na Globo, a partir de 15 de abril. Eu sempre tenho em mente a diversidade do público brasileiro e sei que a maioria das pessoas não têm as mesmas condições de acesso que uma minoria mais economicamente privilegiada tem. Enfim, há enorme diferença entre todos esses públicos. E minha série só teve a ganhar com esse sistema de exibição atípico. O NOW NET comprou, pela primeira vez, a exclusividade de lançamento de um produto inédito, antes de ser exibido na TV aberta ou no cabo. Após cumprir esse ciclo contratual, a série foi para o Globoplay e irá para a Globo, que ainda é a grande vitrine de exposição. Como essa trajetória, o trabalho atingiu um público maior e mais variado.


Rodrigo Ferraz Sua versatilidade é ímpar. Tem alguma novela ou algumas que você ache mais a sua cara? E tem algum personagem muito parecido com o Ricardo Linhares como pessoa?
Resposta: Tem um pouco de mim em tudo o que faço. Eu não preciso escrever sobre a minha vida para ser um trabalho pessoal. Como escritor, eu transito por diferentes gêneros e estilos. Posso escrever realismo mágico ou uma trama policial. Em tudo, há a minha digital. Vamos tomar como exemplo Saramandaia, Babilônia e Se eu fechar os olhos agora. São três obras completamente diferentes umas das outras. Mas em todas eu falo dos mesmos temas que são importantes para mim: intolerância, discriminação, respeito às diferenças e à diversidade, combate ao racismo, ao preconceito, à homofobia. No episódio que escrevi para o seriado Os Experientes, que é uma criação original minha, abordo os mesmos temas. Será dirigido pelo Dennis Carvalho e protagonizado pela Ruth de Souza. O seriado ainda está em fase de pré-produção. Para mim, não faz diferença se é um remake, um trabalho escrito em parceria, uma adaptação ou uma ideia original minha. Quem se dispuser a analisar, verá que a temática é sempre a mesma. Como pessoa, eu estou totalmente na Adalgisa, personagem que criei para a série. As tiradas irônicas dela e o modo pragmático de encarar a vida são meus.


Rodrigo Ferraz: É verdade que Amor de Mãe, novela de Manuela Dias terá sua supervisão? O que você pode contar sobre a trama? E como é o seu trabalho nela?
Resposta: Desculpe, mas não posso contar nada sobre a trama, não seria ético. Eu nunca falo sobre os trabalhos em que faço supervisão de texto. Manuela tem uma trama ótima e criou personagens interessantíssimos. A novela dela tem tudo para ser um estouro.


Rodrigo Ferraz: Já saiu na imprensa que você tem vontade de adaptar O Grito, o que você pode falar sobre?
Resposta: Sim, tenho o projeto de transformar O Grito num seriado. Não é o remake da novela. É uma outra abordagem, mantendo o ponto de partida da história do Jorge Andrade, um dos dramaturgos que eu mais admiro e cujas peças foram marcantes na minha formação, ainda adolescente. A Globo comprou o baú de peças e novelas dele, mas eu ainda não estou trabalhando nisso, está na fase de projeto, mesmo.

Fábio Dias: E novelas das nove? Algum projeto já pensado? 
Resposta: No momento, além da supervisão da novela da Manuela eu também estou fazendo a supervisão de texto de Malhação 2020, da Priscila Steinman. E desenvolvendo os capítulos de uma série livremente inspirada no livro Cacau, do Jorge Amado.

Júnior Bueno: Qual é o papel de um autor de novelas hoje em um país cujo governo festeja o aniversário da ditadura?
Resposta: Toda arte é política. Até a ausência de arte é uma posição política, contraria à arte. Eu tenho convicção do papel fundamental da teledramaturgia ao abordar temas relevantes e progressistas, sem impor um ponto de vista nem ser panfletário, mas levantando a discussão e a troca de ideias. A dramaturgia pode tocar o coração das pessoas e ajudar a abrir as mentes para que haja respeito à diversidade e à liberdade.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

Juliana Paes e Marcos Palmeira se destacam na estreia de A Dona do Pedaço

Por Edilson Lopes



Gosto muito de tramas que revelam o protagonismo no título, como acontece atualmente com A Dona do Pedaço, a nova novela das nove da Rede Globo. O título deixa claro de quem é a história que está sendo contada; e no primeiro capítulo exibido nesta segunda-feira (20) ficou evidente que a Maria da Paz, personagem da Juliana Paes é a verdadeira dona do pedaço, pois enfrentou a família para tentar selar a paz numa guerra que se estendia a anos. Como percebemos a trégua não deu muito certo pois o Amadeu, numa atuação segura de Marcos Palmeira, acabou levando um tiro no altar, deixando um ótimo gancho para o segundo capítulo.


O Marcos Palmeira inclusive está retornando ao protagonismo, função que ele não exercia desde 2009 quando foi ao ar Cama de Gato. Depois disso ele ainda foi par romântico principal de Taís Araújo em Cheias de Charme, mas como nessa trama o protagonismo era das empreguetes seu personagem funcionava mais como escada, para que a Taís brilhasse. Juliana Paes neste primeiro capítulo apresentou uma Maria da Paz segura porém doce, determinada mas romântica, enfim, trouxe nuances bem interessantes de uma personagem que poderá render muito nos próximos meses.


Sobre a abertura gosto isoladamente da música e da arte. A música é popular, alto astral e combina com a garra da protagonista, porém a arte, com a exibição de diversos doces, bolos e cremes me parece pedir uma musica mais calma para o seu andamento. Um detalhe que chamou a atenção na abertura foi a forma como foi creditada a sua autoria: “Novela Criada e Escrita por Walcyr Carrasco”, para quem não lembra Aguinaldo Silva, autor da novela antecessora teve problemas com a autoria da sinopse, e a participação dos alunos de sua Masterclass na elaboração da sinopse, precisou ser inserida nos créditos de encerramento após decisão judicial.

Como capixaba vi muito pouco do Espírito Santo em Rio Vermelho, não vi nenhuma expressão tipicamente capixaba no texto dos personagens. Nada na cenografia remeteu diretamente ao Espírito Santo. A ambientação poderia ser em qualquer cidadezinha do interior do Brasil. Também me incomodou o fato de ser retratado apenas duas famílias de matadores, como se apenas isso movesse o estado, as belezas do estado poderiam ter sido melhor exploradas.


O primeiro capítulo de A Dona do Pedaço foi ágil e conseguiu apresentar de forma satisfatória os protagonistas e o fio condutor da trama, a mocinha é cativante e com certeza terá a torcida do público. Menção honrosa para o brilhantismo de Fernanda Montenegro que sempre enche a tela quando está em cena. Eu acredito que a trama será um grande sucesso.


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Sobre o autor

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