quarta-feira, 24 de abril de 2019

Verão 90: Isabelle Drummond como a gente nunca viu

Por Rafael Barbosa


Sempre que uma novela estreia, tem início também uma série de comparações. Se a nova trama não agrada por alguma razão, essas vem acompanhadas de críticas. Recentemente, no twitter, presenciei uma discussão sobre qual “a pior mocinha de novela das sete”, que compara a Manuzita, da atual “Verão 90”, com mocinhas anteriores, como as vividas por Marina Ruy Barbosa e Camila Queiroz, respectivamente em “Deus salve o rei” e “Pega pega”.  

A protagonista de Isabelle Drummond vem sofrendo críticas, algumas direcionadas a sua interpretação, mas em sua maioria voltadas a novela como um todo. Por outro lado, há quem esteja adorando rir e se divertir com Manuzita, tanto que na última semana, em que a mocinha vem tendo bastante destaque graças a uma virada da personagem, Isabelle tem recebido elogios nas redes sociais.  

O fato é que ver a atriz em um papel bastante diferente de tudo o que fez até então – essa é a primeira vez que ela se aventura na comédia – não deixaria de causar algum estranhamento. Mas, como adoro dar pitacos e como sou um grande admirador do trabalho de Isabelle como atriz, tratarei de defendê-la, já avisando. 


Mocinha desafiadora
Quem acompanha a carreira de Isabelle Drummond, sabe que Manuzita foge totalmente dos tipos interpretados por ela até então. Mais acostumada a dar vida à mocinhas, ora fortes, ora frágeis demais e quase sempre muito românticas e dramáticas, no terreno da comédia, Isabelle pouco transitou. Pode-se dizer que o mais próximo de uma personagem cômica que ela fez até então foi a Bianca de Caras e Bocas, um grande sucesso na sua fase ainda adolescente. 

Manuzita não deixa de ser mais uma mocinha em sua carreira, afinal é do bem e essencialmente romântica, mas, por outro lado, é definitivamente engraçada e vai de encontro ao tom despudoradamente caricato que o texto de Paula Amaral e Izabel de Oliveira imprime, bem como a direção de Jorge Fernando – que reencontra a atriz dez anos depois do sucesso de Bianca. 

Manu é uma atriz canastrona, sem talento, atrapalhada e desengonçada. Ao mesmo tempo é solar, alegre, espirituosa e sem qualquer controle sobre o que sente. Guarda ainda uma certa pureza e ingenuidade inerente as mocinhas. Além disso, vive as situações mais absurdas. Do figurino ao penteado, a personagem talvez seja a que melhor representa a atmosfera da novela como um todo. Um tipo como esse, com uma personalidade tão peculiar, exigia uma representação bastante verdadeira, apesar da caricatura do texto e é isso que Isabellle Drummond entrega ao público. 


Sem medo do ridículo
Ver Isabelle em cena como Manu, me faz pensar em outra atriz. Em 2009, após viver uma Helena de Manoel Carlos na novela Viver à Vida e ser massacrada pela crítica, Taís Araújo chegou a pensar em desistir da carreira, mas, ao refletir a respeito, transformou tudo em aprendizado. Li em uma entrevista sua, que foi a partir de Helena que entendeu que a profissão de atriz significa correr riscos e que precisava se aventurar por caminhos ainda não testados. 

Ainda segundo Taís, essa experiência definiu a atriz que ela seria. Logo após o trauma, veio a volta por cima e em 2012, ela brindou o público com a sua empreguete Penha em Cheias de Charme, com uma composição bastante diferente de tudo que ela havia feito até então. 

É muito comum ler ou ouvir outras atrizes e atores, sejam eles de teatro, cinema ou televisão, afirmarem que a profissão exige entrega, desprendimento, as vezes até mesmo falta de pudor e ausência de medo do ridículo. Particularmente acredito que essa deva ser a única regra para a profissão. E é por tudo isso que considero o fato de Isabelle se arriscar, fugindo do lugar comum, já faz de Manuzita um acerto em sua carreira. 

Para viver um personagem como esse, penso que se faz necessário se apropriar do texto e crer nele, por mais absurdo que possa parecer e é isso o que se pode sentir com o desempenho de Isabelle. Houve no início uma fase de adequação ao personagem, na qual foi possível senti-la ainda tateando o papel, tímida até, estudando o terreno em que deveria pisar, algo absolutamente compreensível para uma atriz que quase não fez comédia diante de uma personagem absolutamente cômica. Talvez por essa razão, tenham vindo as críticas.


A protagonista não é o problema
Verão 90 apresenta muitos problemas, que passam pelo texto, direção e a produção como um todo, embora divirta aqueles que se propuseram embarcar na história. Mas definitivamente a protagonista não é um deles. Manu é uma mocinha diferente do que as novelas costumam apresentar, mesmo no horário das sete, e a interpretação de Isabelle contribui para isso. 

Ainda no início da novela, foi alardeado um pedido da emissora para que a atriz maneirasse na caricatura da personagem. Se isso aconteceu mesmo eu não sei- me parece que não -, mas o que foi sentido é que Isabelle não modificou a sua interpretação e sim, conseguiu, em determinado momento, dominar por completo sua personagem e a partir de então vem divertindo e encantando. Do gestual à voz, do riso ao choro, o olhar, tudo em Manuzita revela um cuidadoso trabalho de composição e a atriz pareça super a vontade em cena. 

A dupla formada com Cláudia Raia, com mais anos de estrada e que domina a comédia como poucas, mostrou-se fundamental para esse resultado. A dinâmica entre Lidiane e Manu, mãe e filha, funciona, as duas tem química juntas e é um dos maiores atrativos da novela. A parceria com outros nomes como Luiz Henrique Nogueira e o próprio par romântico, Rafael Vitti – outro que faz um João encantador – enriquecem ainda mais seu trabalho. 

Por tudo isso é que, mesmo não sendo a melhor das mocinhas - tampouco a pior, longe disso - Manu deve se tornar um dos momentos mais marcantes para Isabelle da televisão, um papel que revelou sua veia cômica e que pode significar novos rumos para sua carreira. De uma maneira geral, mais uma vez se confirma o talento de uma jovem atriz que cresceu aos olhos do público.  

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Sobre o autor



sexta-feira, 12 de abril de 2019

Jéssica Ellen, Victor Maia, Myra Ruiz e Diego Montez atores de "Meu Destino é ser Star" em Entrevista

Por Rodrigo Ferraz


Meu Destino é ser Star é bem mais que uma homenagem a Lulu Santos e todos seus fãs. O musical recheado de músicas do cantor e compositor carioca fala dos bastidores de uma peça que também é musical. A seguir você vê duas entrevistas imperdíveis com 4 dos atores do espetáculo, são eles: Jéssica Ellen, Victor Maia, Myra Ruiz e Diego Montez! Vamos conferir??

(Jessica Ellen e Victor Maia)



( Myra Ruiz e Diego Montez)

A peça está em cartaz até domingo no Teatro do Shopping Frei Caneca. Sexta-Feira - 20h, Sábado - 16h e 20h e Domingo - 19h. Preços: Sexta - Plateia VIP - R$ 120,00 | Plateia - R$ 90,00 | Plateia Popular - R$ 50,00, Sábado e Domingo  Plateia VIP - R$ 150,00 | Plateia - R$ 120,00 | Plateia Popular - R$ 50,00

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Sobre o entrevistador


sexta-feira, 5 de abril de 2019

DRoPs 67 - Novidades culturais, curtas e finas

Por Rodrigo Ferraz


~> Começamos o Drops do mês passado mostrando o teaser de Tom na Fazenda, lembra?? Começamos esse falando novamente da peça, agora com o protagonista da mesma... Com vocês Armando Babaioff... 




No teatro do Sesc Santo Amaro até dia 14 de abril. Sexta e Sábado 21h e Domingo 18h. Os ingressos vão de 9 à 30 reais.

~> Cleyton Cabral, que esteve recentemente em uma entrevista por aqui escreveu a peça Desculpe o atraso, Eu não queria vir! Encenada pela  Cia de Teatro Paradóxos. A peça é uma homenagem a artista transsexual Renata Carvalho estreia no fim do mês, dia 25 no jardim da Braapa Escola de Atores às 21h, os ingressos são pague quanto quiser sem desculpas!



~> Falando em transsexuais, Clodd Dias e Valéria Barcellos são duas atrizes trans na peça Cartas para Jezebel, mas não são as únicas na ficha técnica. A peça promete tocar! Até 28 de abril, Sexta e Sábado, às 21h e domingo, às 19h, Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia- entrada) no Teatro Arthur Azevedo.
~> Esse mês de abril é um mês de muitas estreias para Thelma Guedes, a escritora mais conhecida por novelas estreou essa semana novela nova, mas também estreara peças em São Paulo. A primeira a estrear é Mulheres de Shakespeare. Duas atrizes se encontram em um teatro para uma reunião de elenco, quando são surpreendidas por um temporal. Enquanto esperam pelo diretor e o restante da equipe, deparam-se com as mulheres de Shakespeare, memórias femininas que perpassam os séculos. E esse encontro faz com que se voltem para si mesmas, revendo e questionando os próprios conflitos são elas Ana Guasque e Suzy Rego. No Teatro Novo a partir do dia 12/4, Sextas e Sábados 21h e Domingos 19h e o valor do ingresso é de R$20 à R$60.


Mulheres de Shakespeare - Foto Ary Brandi

~> A outra peça escrito por Thelma Guedes é dirigida por diretor Roberto Lage, o espetáculo Van Gogh por Gauguin é uma ficção na qual Gauguin (Augusto Zacchi), em um agonizante delírio, vive sob o peso de sua responsabilidade em relação ao final de vida trágico do amigo Vincent Van Gogh (Alex Morenno). A peça, que estreia no dia 22 de abril, segunda (às 20h), na Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sérgio Cardoso, personifica de forma poética, simbólica e onírica os conflitos e a admiração incondicional entre os pintores. Sábado 18h30, Domingo 19h e Segunda 20h.O valor do ingresso inteira é de 50 reais.

~> Hoje a peça que Luisa Michelatti escreveu e atua Soror estréia... Sororidade, ou fraternidade entre mulheres, é um dos principais pilares que fundamenta a luta pela igualdade de gênero. Daí surge o título da montagem, SOROR, ou irmã, que coloca lado a lado as duas figuras femininas e polarizadas da gênese judaico-cristã: Eva, a oficial, e Lilith, a oculta. O texto é dirigido por Caco Ciocler,e além dela tem Daniel Infantini, Fernanda Nobre, Geraldo Rodrigues. No teatro do Sesc Ipiranga, Sextas á Domingo 9 á 30 reais é o valor dos ingressos!

~> O ótimo Gota d'Agua[A Seco] volta para os palcos paulistanos no Teatro Porto Seguro. Quarta e Quinta feira 21h, a partir do dia 17/4 os ingressos vão de R$25 à R$80. Se você quiser rever o vídeo com um trecho da peça e convites (da primeira temporada) dos atores Laila Garin e Alejandro Clavaux segue abaixo...


Até maio minha gente



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Sobre o autor

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Espelho da Vida e a capacidade de tocar o público

Por Rafael Barbosa


Espelho da vida se encerra nesta segunda-feira (01/04) após pouco mais de cinco meses no ar. Muito criticada no início e com uma audiência abaixo do esperado, a história, que trata de vidas passadas, almas gêmeas e viagem no tempo, termina aclamada por uma parcela do público que optou por embarcar nela. 

Aliado à grandes interpretações do elenco e a uma direção e produção competentes, o texto de Elisabeth Jhin se mostrou capaz de tocar o coração das pessoas e talvez esse seja o seu maior feito. 
Quando Espelho da vida estreou em setembro, confesso que dei de ombros. Desisti logo após os primeiros cinco capítulos. Fiz isso para mais tarde me arrepender. 

Nunca fui um entusiasta da obra de Jhin, na qual a temática da espiritualidade é recorrente, não por achar que não seja bom o que ela escreve, mas por uma questão de gosto e identificação mesmo. Até então, Escrito na estrelas, exibida em 2010, foi a única que vi com maior atenção, mas sem me sentir totalmente fisgado. No entanto, me surpreendi quando há um mês do término, vendo a repercussão da novela nas redes e lendo os constantes comentários de que esta havia melhorado muito em relação ao seu início, fui tomado por uma insistente vontade de voltar a ver.  Eis que me pego maratonando cinco meses de novela em um. 

A autora Elizabeth Jhin na festa de lançamento da novela.

É claro que nessa maratona me concentrei nas sequências mais importantes, mas ainda assim, foi possível me sentir envolvido pela história, pelas personagens e pelas interpretações sensíveis, fortes e viscerais do elenco extremamente afinado com o texto, acreditando na história que estava contando, transmitindo verdade em cada cena, sempre muito bem conduzida pela direção artística de Pedro Vasconcellos. Me vi encantado pela forma com a qual Jhin construiu sua história e me senti inclinado a rever meus conceitos e talvez até, pré-conceitos, em relação ao seu estilo de fazer teledramaturgia. 
Espelho da vida sofreu muitas críticas nos seus primeiros meses, acompanhei algumas delas e sinto que em grande parte foram justas. A maior falha apontada foi a lentidão no desenvolvimento do enredo, algo superado, quando enfim, a história ganhou fôlego, apresentando grandes cenas. Há ainda outras cobranças em relação à falta de lógica, falhas de estrutura, equívocos do roteiro etc. Não posso discordar e nem afirmar que essa argumentação não tenha fundamentos. 

Mesmo me deixando levar pela história, eu, que pouco conheço acerca da doutrina espírita, me vi com muitas dúvidas e questionamentos em relação ao contexto construído em torno da saga de Cris Valença em outra dimensão. Muitos elementos pareceram não fazer sentido algum, tendo sempre a questão espiritual como regra máxima nesse jogo estabelecido com o telespectador. Mas talvez esse tenha sido o principal objetivo, não?



Nesses momentos de dúvidas em relação ao enredo, me identifiquei com Alain, personagem do João Vicente de Castro. Ele nunca acreditou em nada daquilo de reencarnação e portal para o passado. Nada fazia sentido para ele, que passou toda a novela buscando uma explicação lógica. Mas há certas coisas que simplesmente não podem ser explicadas racionalmette, é preciso ter a mente e o coração abertos. Essa foi a mensagem da novela e a principal lição de Alain, meu personagem favorito por ter uma construção muito bonita e coerente. Acredito que talvez isso sirva para justificar qualquer erro de lógica. 

Espelho da vida é definitivamente uma fantasia, que lançou mão, não apenas das possibilidades que tramas espiritas trazem, mas do realismo mágico, que de alguma forma, dentro daquele universo, funcionou para a trama, além de todos os ingredientes e o melodrama necessários para se chegar ao público. E essa parece ter sido a grande busca da novela, tocar corações. 


Logo após assistir ao penúltimo capítulo no sábado (30/03), vi no YouTube uma entrevista da grande Fernanda Montenegro ao programa “Espelho” apresentado por Lázaro Ramos no Canal Brasil. A entrevista é de um tempo atrás. Quando lhe foi perguntada “para que serve a arte?”, Fernandona respondeu simplesmente, “para confortar pessoas”. Ainda entorpecido pelas emoções do capítulo que havia assistido, imediatamente entendi que muitas vezes, mais importante que o rigor na qualidade técnica da construção de uma obra como uma novela, que fala para milhares de pessoas, é chegar no coração de toda essa gente, é comover, despertar paixões, gerar empatia, divertir, trazer conforto e esperança. 

Espelho da vida cumpre isso quando fala de amor, quando fala de espiritualidade, de evolução humana, de resgate e isso tem muito valor em tempos como esses que estamos vivendo. Soma-se a isso o fato de ter proposto contar uma história em que se brincou com os ingredientes clássicos, propondo algo diferente, mas sem trair as bases do gênero telenovela. Afinal, quando foi que a mocinha se encontrou pela primeira vez com o mocinho apenas no penúltimo capítulo? Não me lembro disso em outra novela!

Os protagonistas junto da equipe de direção, à esquerda Pedro Vascocellos - diretor artístico.

Portanto, Espelho da Vida deixa um legado bonito e com certeza ficará marcada no coração dos fãs e de todos que estiveram por trás de sua produção, independente dos erros, falhas e equívocos que foram cometidos. As críticas são importantes, mas muitas vezes, a experiência subjetiva do telespectador não é levada em conta. As pessoas se relacionam de formas diferentes com determinada obra e os sentidos desta envolvem não apenas os objetivos de quem faz, mas os anseios e desejos de quem consome aquilo. 

Para terminar, além de enaltecer o trabalho de Jhin, que vem se arriscando a cada trabalho e se mostrando muito competente no que faz, consolidando sua assinatura, cabe também parabenizar, mais uma vez, toda a equipe da novela. Sobretudo os atores e atrizes que deram vida à todos esses personagens. De modo geral, Espelho da Vida fez bonito e em minha opinião, seu saldo é muito positivo. 

Capa da trilha sonora Volume 1

Ps: Estou apaixonado pela Vitória Strada, mas acho que o Brasil todo está, certo?!
Ps: Felipe Camargo merece ser aplaudido de pé. Arrisco dizer que sua interpretação como Eugênio e Américo é a melhor dos últimos tempos. 
Ps: Isabel é o melhor papel da Aline Moraes em sei lá quanto tempo. Absolutamente maravilhosa como vilã. 
Ps: João Vicente de Castro, é outro que dominou com competência um personagem dificílimo como o Alain e de quebra, entregou um bom vilão como Gustavo Bruno. 
Ps: Palmas para Irene Ravache, Emiliano Queiroz, Júlia Lemmertz, Reginaldo Faria, Patrycia Travassos, Rafael Cardoso, Ana Lúcia Torre, Clara Galinari, Luciana Paes, Vera Fischer e tantos outros. 
Ps: Não consigo parar de cantar “always always” do Gavin James. Música linda!
Ps: Agora mais do que nunca, quero muito ver Além do Tempo, que dei de ombros também, mas que sempre tive curiosidade de conferir. 

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Sobre o autor



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