quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Num país cíclico como o nosso Rasga Coração é obrigatório

Por Rodrigo Ferraz

Há dramaturgos como Lauro César Muniz, Dias Gomes e Oduvaldo Vianna Filho que escreveram suas realidades dos anos 50, 60, 70... Muito bem, mas como o Brasil é cíclico o texto fica atual, percebendo isso Jorge Furtado transpôs Rasga Coração peça de Vianinha para o cinema. como o nosso Rasga Coração é obrigatório. Escrito em 1974, Jorge Furtado viu  a primeira montagem e saiu impressionado, atualizou pouquíssimas cenas. O diretor quando releu a peça na década passada assim como esse colunista que vos escreve achou que aquele ótimo texto tava datado, o Brasil tava dando certo, com prosperidade e um governo de esquerda aparentemente tava fazendo um bom governo dando uma certa estabilidade para nós, só que poucos anos se passaram e o muitos brasileiros voltaram a ter ideias fascistas e alguns com ideologia próxima ou em prol ditadura, Rasga Coração voltou a ficar atual e Furtado resolveu tirar do papel aquela sua ideia!


Os diálogos certeiros, deixa qualquer espectador assustado e impressionado com a qualidade do texto,  e sua atualidade. Vamos ver o que Furtado e Drica falaram sobre como fazer teatro no cinema??

(Jorge Furtado)


(Drica Moraes)

Existem diretores que transformam pessoas que nem sonham em ser atores em grandes atores, Jorge Furtado como ele mesmo me confessou se considera o oposto, ele chama os melhores e que de preferência sejam amigos  e de fato ele juntou um time de peso. Marco Ricca está impecável, contraditório o personagem muitas vezes apoia o filho, mas repete erros parecidos com o do seu pai, como nossos pais como diria Belchior, João Pedro Zappa faz o papel de Ricca jovem os dois tem trejeitos parecidos e Zappa mostra a cada trabalho que passa mais amadurecimento. por sinal recentemente eles foram pai e filho em Os Dias Eram Assim. George Sauma faz um papel que parece Vianinha escreveu especialmente pra ele, mas o escritor o fez bem antes dele ter nascido. Drica Moraes é Nena, sabe aquela dona de casa que projeta todas suas alegrias na família e em pequenas mudanças de casa? Então eis uma atuação perfeita desse retrato ainda comum, Chay Suede está muito bem vivendo Luca, jovem contestador, em momentos você tem vontade de reprova-lo, outros você apoia, jovens né? O ator de 26 anos convence no papel de 17, Luisa Arraes pra variar bem, Kiko Mascarenhas e Fabio Enriquez dividem o mesmo papel e mandam bem por menor que seja a participação especial. O filme repete parcerias, alem de Zappa e Ricca, Chay e Luisa já foram namorados e irmãos respectivamente em Babilônia e Segundo Sol, Luisa já viveu Drica Moraes no seriado a Formula e Jorge Furtado já havia dirigido Ricca e Drica, e Luisa ele conhece desde a barriga de sua mãe, Virginia Cavendish!


O filme é instigante, ágil, emotivo e com uma trilha sensacional, ao invés de usar as músicas incríveis da época da ditadura, a trilha escolhida com vários nomes e musicas pouco conhecidas! Uma fotografia sensível, que por vezes faz você entrar no buraco da fechadura e ver várias situações. Jorge Furtado que faz séries bem legais pra tv pode aumentar essa história baseada no texto original e fazer uma baseada nesse texto tão rico. 
Essa quinta é a segunda semana em cartaz do filme, corre pra telona, vai por mim... 
Agora pra te deixar mais empolgado segue um trechinho especialmente pra vocês! 


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Sobre o autor

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

DRoPs 63 - Novidades culturais, curtas e finas

Por Rodrigo Ferraz

~> Quem acompanha o Drops, e meus trabalhos já viram o elenco da primeira temporada de Nosso Luto, peça que dirijo, e co-produzo com Kiury (que escreveu o texto). Essa segunda temporada mantém dois atores, Sergio Seixas e Carola Valente. Falando no Sergio, ele juntamente com Suka Rodriguez, nova protagonista do espetáculo conversaram comigo. Vamos ver um papo que tive com eles??


Nossa temporada será no Pessoal do Faroeste, com estreia hoje vai até 16/12. Sexta e Sábado 20h30 e Domingo 19h, ingressos sugeridos R$10.

~> O Condomínio, é uma comédia de humor negro escrita e dirigida por Pedro Brício. Com Pedroca Monteiro e Sávio Moll no Teatro Ipanema no Rio de Janeiro. Sábado, Domingo e Segunda 20h e os ingressos custam 50 reais é o valor do ingresso.

~> O Shopping West Plaza agora tem dois teatros. E cada um leva o nome de duas grandes atrizes, são elas: Nicette Bruno e Laura Cardoso!


As atrizes participaram da inauguração dos mesmos. E a programação deles é bem variada, vai de stand-ups à peças espiritas passando por peças infantis. 

~> A Oficina Dzi volta em cartaz agora na Funarte com o espetáculo Tropicalistas. O valor do ingresso inteira custa 40 reais. Às Sextas e Sábados 20h30 e Domingo 19h30.

~> No espetáculo Num Lago Dourado Sai Ana Lucia Torre, entra Cléo Ventura, e ela lidera o elenco junto com Ary Fontoura no Teatro Novo.A peça é adaptada por Célia Regina Forte de Ernest Thompson e tem a direção de Elias Andreato! Sextas e Sábados 21h e Domingos 18h. Ingressos variam de R$35 à R$80.


~> Jornada de um Imbecil até o Entendimento, de Plínio Marcos, ganha montagem de Helio Cicero, com clowns e linguagem do realismo fantástico. No Centro Cultural São Paulo. Sextas e Sábados às 21h e Domingo às 20h e os ingressos R$ 30 (inteira); R$15 (meia-entrada).

~> Finalizo falando de Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, a peça virou filme e com a direção de ninguém mais ninguém menos que Jorge Furtado com um baita elenco, sente só: Marco Ricca, Drica Moraes, Chay Suede, João Pedro Zappa, Luisa Arraes entre outros. E pra deixar você com mais vontade vejam o trailer...




Estreou ontem, em breve você verá o diretor do filme e Drica falando conosco em uma matéria super bacana desse filme com direito há um trechinho do mesmo. O último Drops do ano fica por aqui! Até mais pessoal!!

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Sobre o autor

sábado, 1 de dezembro de 2018

Entrevista com Claudio Fontana, talentoso pra caramba

Por Rodrigo Ferraz


Ele é dos maiores sócios daqui d'o Cabide Fala, é sua terceira entrevista, mas ele sempre tem o que dizer. Com projetos incríveis, Claudio Fontana além de ser talentoso pra caramba, também é um grande produtor. Sem mais rodeios, vamos ler o papo mais que saboroso que tive com ele? Com direito a convidados especialíssimos como Alcides Nogueira (autor de diversos trabalhos dele), Nanda Rovere (jornalista do site De Olho na Cena, grande admiradora) e Cacá Toledo (Ator, já trabalhou com ele mais de uma vez incluindo atualmente em Estado de Sítio)!

Você é extremamente leal aos seus parceiros de trabalho, talvez os que você trabalha
 com mais frequência são Gabriel Villela e Elias Andreato. Essa é a segunda vez que vocês 3 estão juntos ao mesmo tempo! Conte como é a parceria com cada um!! 
"Gabriel Villela me salvou de uma vida medíocre" rs Conheci Gabriel quando ainda  estudava direção na ECA-USP e o convidei para dirigir o Grupo de Teatro Amador do Esporte Clube Pinheiros. Desde então, admiro muito seu trabalho. E tenho o privilégio de produzir seus trabalhos, mesmo quando não estou em cena.
Elias Andreato é outro parceiro transformador. Já admirava seu trabalho como ator  na série histórica de mon[ologos que fazem parte de sua carreira como Artaud, Oscar Wilde... Mas quando ele dirigiu "Adivinhe Quem Vem para Rezar", de Dib Carneiro Neto, quando atuei ao lado de Paulo Autran, a amizade se fortaleceu e descobri que somos almas  gêmeas artísticas.

(Com Elias Andreato, em Esperando Godot)

Estado de Sítio de Camus é o seu segundo texto do autor, não? O que te motiva  a montar textos dele como ator e produtor??
Ambos os textos de Camus que produzi e atuei: "Calígula" e "Estado de Sítio" são "tragédias da iinteligência", segundo Camus e nos ajudam a refletir sobre a condição humana: no primeiro caso, é um ensaio sobre a ambição e o poder e no último um estudo sobre os perigos do totalitarismo. "Calígula" surgiu de um desejo de Thiago Lacerda em  protagonizar essa peça sob a direção de Gabriel. "Estado de Sítio" surgiu por iniciativa de Gabriel que se assustou com a decretação da intervenção militar no Rio. E, de alguma forma, o texto ganhou mais importância com o que vivemos recentemente na campanha eleitoral presidencial.

O Leleco e o Dentista (de Boca de Ouro) são personagens praticamente antagônicos da Morte (de Estado de Sítio), mas a direção é a mesma, apesar da concepção ser bastante distinta. Conta como é mudar essa chave mesmo repetindo alguns colegas de cena e o mesmo diretor... 
É impossível comparar obras e personagens tão distintos mesmo. Leleco e o Dentista são criações do maior dramaturgo brasileiro: Nelson Rodrigues. Estão inseridos dentro de um universo bem carioca, bem brasileiro e bem característico da nossa sociedade. Apesar de também ter de criá-los sob a batuta de Gabriel e com a companhia de alguns colegas que participaram de ambos os processos, esses personagens tem personalidades distintas da Morte, de Estado de Sítio. Leleco é o marido traído, é o marido que se vinga e é o marido apaixonado nas 3 versões contadas por D. Guigui sobre o Boca de Ouro. A Morte (que nasceu da personagem Secretária do original de Camus) ganha um arquétipo simbolista na versão de Gabriel e, como tal, foge de características mais realistas. Sua concepção passa por outras fontes de inspiração e voz, corpo, maquiagem e energia são totalmente anti-naturalistas. É uma criação totalmente voltada ao teatro simbolista de Gabriel.


O que  te motiva como ator e produtor montar um espetáculo?? A escolha de projetos é o que nos inspira a moldar nossa carreira. Trabalhar com  autores e diretores e atores com os quais temos afinidade é o que me motiva. O produtor tenta viabilizar os sonhos do ator: esse é o lema doo ator-produtor no Brasil.
Creio que escolher projetos com grandes parceiros é o principal. Afinal, teatro  é uma arte coletiva: o melhor das artes!

Nanda Rovere pergunta: Claudio, esmiúce um pouquinho o processo de criação da secretaria porque é encantador  o olhar, os movimentos, intenções, os gestos.
 Como todo processo de criação, este também foi penoso e caótico. Começa-se sempre  por ler e reler a obra e todas as traduções disponíveis. A Secretária desenhada por Camus é uma mulher que secretaria seu chefe, A Peste, e com seu caderninho de notas, risca nomes em suas anotações e tal ação mata as pessoas da cidade invadida. Ao tentarmos  ir por esse caminho nos primeiros ensaios, deparei-me com um incômodo e uma angústia: nem a personagem nem a direção de Gabriel pediam esse personagem construido de forma realista como sugeria o autor: foi aí que tive a ideia de transformá-la no arquétipo da Morte e fugir o mais longe possível do realismo: então a maquiagem de Claudinei Hidalgo para a sessão de fotos confirmou minha intuição e, com o sinal verde de Gabriel, trilhei o caminho dessa Morte com voz bradada, andar curvado, expressões grotescas e  valorização da palavra! Daí vieram as Fúrias ou Cachorros ou Cérbero que ajudam na composição da Morte, trabalho lindo de Rogerio Romera, Zé Gui Bueno e Nathan Milleo.

(Em Estado de Sítio)


Cacá Toledo pergunta: Quando digo "uma sessão inesquecível" qual a primeira lembrança que te vem à  cabeça?   
Com certeza, uma sessão que me fez entender a importância do ofício do ator: Feliz  Ano Velho, peça de Alcides Nogueira, baseada no livro biográfico que conta o acidente de Marcelo Rubens Paiva que o fez ficar tetraplégico. A peça transporta para o palco a decisão de Marcelo de reaprender a viver depois do acidente e viver feliz ! Denise del Vecchio e eu estávamos no saguão do hotel indo para o Teatro Pedro II quando nos deparamos com uma equipe de basquete de cadeiras de rodas. Denise os convidou. O espetáculo atrasou pois todos foram ao teatro (que só tinha um elevador especial para deficientes).  Todos eles ficaram na primeira fila, onde havia espaço para eles.  Na saída,  todos estavam lá nos esperando. E um deles pegou na minha mão e me disse: Claudio, hoje você me fez entender porque sou tetraplégico! Eu posso sim ser feliz! E quem saiu agradecido fui eu pois entendi o poder transformador do ator e do  teatro.

Eventualmente você faz TV, sempre em papéis tão distintos, isso é uma opção  ou simplesmente acontece? Quais momentos mais te marcaram no veículo?
A TV é um veículo fascinante para exercitar a técnica de atuação para câmeras. Creio  que um ator de teatro pode transitar com facilidade pela TV pois é no teatro que um ator se forma. A TV traz uma repercussão popular ao ator. E isso é muito bom. Também tive a sorte na TV de ser convidado por grandes autores como Alcides Nogueira e Silvio  de Abreu para as primeiras novelas. Depois, os convites foram se sucedendo, mas sempre volto ao teatro após um período gravando para "recarregar as baterias". Atualmente a série "Confissões Médicas" na Discovery Channel é meu trabalho no video. É um formato  muito interessante: como um docudrama, onde interpretamos personagens reais que aparecem também no video em depoimento. Faço o dr. Gaiotto, um conceituado cirurgião cardíaco.
Acho que meus papéis que mais marcaram foram o Áureo Poente, de Fera Ferida, de  Aguinaldo Silva (Globo), o Manoel do Alpendre, de As Pupilas do Sr. Reitor (SBT), Jayme Penteado, da minissérie "Um Só Coração", de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira e o Jônatas, de Rei Davi, da Record, foram trabalhos desafiadores e estimulantes.

(No Seriado Confissões Médicas)

  
Sabemos da importância do Alcides Nogueira pra sua carreira, e somos fãs declarados dele! Conta para os leitores do O Cabide Fala, por que você o admira tanto! E quais momentos inesquecíveis vocês tiveram juntos!! 
Alcides é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros. Sua obra para o teatro  é de tamanha magnitude que só quem viu suas peças encenadas sabe dizer o quanto ele é transformador e provocador, qualidades inegáveis de um verdadeiro artista. Sua alma inquieta produziu obras como "Traças da Paixão", "Pólvora e Poesia" ou mesmo "Feliz Ano Velho", sem falar em "A Ponte e a Água de Piscina" que marcaram a história do Teatro Brasileiro. Em TV, empresta seu talento e criatividade aos folhetins com criatividade e dinamismo. Sua contribuição para as minisséries históricas é também relevante, como  em "Um Só Coração", que já mencionei, que nos relembrava de momentos tão especiais da Revolução de 1932, em São Paulo.  "Ciranda  de Pedra" é outra novela inesquecível de Alcides, com certeza. Trouxe o romantismo¨de volta e foi um sucesso de audiência no horário das 18h, mesmo sendo um remake. O elenco, encabeçado por meus queridos amigos Marcelo Antony (com quem dividi o palco depois  em Macbeth) e Ana Paula Arósio, era um dos pontos altos da novela.

Alcides Nogueira pergunta: Claudio, você já fez grandes personagens no teatro e na televisão. Desses, que  nós do teatro consideramos icônicos, qual você gostaria de representar? E por quê?  
 Rodrigo e Alcides, com a experiência e com a vivência com tantos artistas e amigos,  aprendi que não escolhemos personagens, eles nos escolhem ! Nunca imaginei que estaria fazendo a Morte, de Estado de Sítio, de Camus, em 2018 ! Num período pós-eleitoral, onde mágoas e medos ainda estão pulsando e quando 2019 será um ano tão decisivo para  o futuro de todos nós. E como esse texto e essa personagem são tão pertinentes a tudo que passamos... O importante ao se fazer teatro não é escolher personagens, é escolher os parceiros certos para juntos com todos: autor, diretor, cenógrafo, figurinista,  outros atores, técnicos, iluminador, maquiador, fazer espetáculos com o poder transformador que só o teatro tem... Alguns dos personagens mais importantes da minha carreira foram escritos por você, Alcides Nogueira, talvez o dramaturgo que mais contribuiu  para a minha formação e aprendizagem: sem Rimbaud, de Pólvora e Poesia, sem Nil, da Ponte e a água de Piscina, sem o Marcelo Rubens Paiva de Feliz Ano Velho, sem o Paco de Traças da Paixão, o que seria de mim? Sem falar nos maravilhosos personagens de minisséries  e novelas como Um Só Coração, Cirande de Pedra, O Amor Está No Ar, Deus Nos Acuda, etc...
Gostaria de fazer qualquer personagem de um novo texto lindo de Alcides Nogueira,  faço de olhos fechados e de coração aberto!

(Alguns dos papéis que fez com texto de Alcides: Pólvora e Poesia, Ciranda de Pedra, I Love Paraisópolis e A Ponte e a Água de Piscina)


SERVIÇO de Estado de Sítio
Teatro do Sesc Vila Mariana, Quinta à Sábado às 21h, Domingos às 18h, os ingressos vão de R$12 à R$40. 

domingo, 18 de novembro de 2018

Consagração de Jeniffer Nascimento supera as diversas falhas técnicas do Popstar

Por Edilson Lopes


Foi ao ar na tarde deste domingo, 18, a grande final da segunda temporada do Popstar, reality musical original da Rede Globo que tem a premissa de fazer com que celebridades saiam de sua zona de conforto e enfrente os especialistas e o público em apresentações musicais. Neste último programa, ainda competiam pelo prêmio de 500 mil reais e um carro zero km a jornalista Renata Capucci, e os atores Sérgio Guizé, Mouhamed Harfouch, Malu Rodrigues, João Cortes e Jeniffer Nascimento.

Finalistas do Popstar 2018

O programa enfrentou, ao longo da temporada, diversas falhas técnicas inadmissíveis para uma emissora do porte da Rede Globo, com prática em exibir programas ao vivo. Problemas no áudio, no corte de câmeras, no sistema em que os especialistas davam suas notas e na exibição do placar após a apresentação dos artistas. O problema mais uma vez ficou evidente, quando nesta final, em mais de uma oportunidade os jurados alegaram ter dado nota 10 para um competidor e o sistema acusou outra nota. Bem verdade que em uma apresentação da Jeniffer Nascimento a especialista Preta Gil acabou não dando sua nota, e o 9,7 (nota mínima possível) acabou destoando da série dos outros 10 que a participante ganhou.

Taís Araújo substituiu Fernanda Lima na condução do programa

Pela primeira vez na função a apresentadora Taís Araújo demonstrou nervosismo, e a falta do controle em suas reações, apesar de estranhas para um apresentador, funcionaram com o clima proposto pelo programa. Fernando Lima, apresentadora da primeira temporada, foi substituída pela Taís aos 45 minutos do 2º tempo, sob a alegação da emissora que Fernanda estaria envolvida nas gravações do Amor & Sexo, que também tinha acabado de voltar ao ar. Na verdade a escalação da Taís saiu logo após a emissora sofrer diversos protestos pela falta de representatividade negra surgida assim que Segundo Sol estreou; pra quem não lembra, a emissora foi acusada de “embranquecer” o elenco de uma trama passada na Bahia. Se o motivo real foi esse ou não, não me cabe julgar, afinal talento para assumir o posto a Taís sempre demonstrou ter, e comprovou isso, apesar de seu nervosismo. Sorte também para a Globo, imagina a emissora dos Marinho com dois programas sofrendo boicote por causa da posição política da apresentadora Fernanda Lima.

Problemas a parte, a final do Popstar foi a consagração da menina Jeniffer. Brilhando desde a sua primeira apresentação, a jovem atriz mostrou que não estava a passeio e nas três rodadas da grande final se apresentou como um verdadeira diva, ganhando notas altas dos especialistas, da plateia interativa e do público de casa. Sérgio Guizé e Mouhamed Harfouch foram eliminados na primeira rodada do dia. A grata surpresa Renata Capucci e a atriz Malu Rodrigues deixaram o programa na segunda rodada. A grande final então foi disputada por João Côrtes, ator, famoso pelo comercial da Vivo e a Jeniffer Nascimento. João, nitidamente nervoso, errou a letra, desafinou e fez uma apresentação muito aquém daquelas que o levaram até a final. A Jeniffer, pelo contrário, mais uma vez arrasou, emocionou a todos e garantiu as notas altas que lhe deram o título de Popstar 2018. 

 Jeniffer Nascimento emocionada logo após ganhar o Popstar

Antes de seu discurso final, Jeniffer foi homenageada pela Preta Gil que classificou-a como um sobrevivente, representante de todas as mulheres negras do Brasil. Essa fala da Preta foi de encontro ao discurso da vencedora que emocionou a todos mais uma vez ao abraçar o irmão que foi seu backing vocal ao longo da competição, agradecer a Deus e ao público e falar para os pais e para o namorado que o prêmio ia servir para dar pagar dívidas, impedir a venda do apartamento da família e garantir uma casa para que ela morasse com o namorado. Concordo com a Preta, Jeniffer é uma sobrevivente, e digo mais, é uma guerreira que mereceu o título de Popstar.

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