quarta-feira, 24 de julho de 2013

ENTREVISTA: Alex Francisco, autor do polêmico livro "A Visita"



Você é um daqueles que quando começam a ler um livro, logo imaginam vozes pra cada personagem que vai surgindo? Fala a verdade, não tem coisa mais divertida que exercitar a imaginação tentando pensar nas entonações e nas características.

Para ajuda-lo nessa tarefa, vai rolar a leitura de alguns trechos do livro A Visita, de Alex Francisco, na livraria Café e Cultura, no Parque Renato Maia. Super bacana, né? A ideia é familiarizar ainda mais o leitor com os personagens que, dentro em breve, estarão nos palcos por aí.

A Visita conta a história de um casal homoafetivo, separados pela prisão injusta de Dalmo que recebe a visita inesperada de Tales, que, por engano, acaba preso junto com seu companheiro.

Após a leitura, você ainda terá a oportunidade de bater um papo com os atores e o autor, ter seu livro autografado e curtir boa música num happy hour.

Não vai perder, né?


A livraria Café e Cultura fica na Av. Doutor Renato de Andrade Maia, Parque Renato Maia, em Guarulhos, Grande São Paulo. 

Confira abaixo uma entrevista que ele nos concedeu com exclusividade.


Rodrigo Ferraz: Escrever para um jornal ajuda a criar ficção?
Alex: Escrever para um jornal ajuda a ter contato com diversos tipos de histórias e personagens. Na hora de apurar um fato, o olhar do jornalista tem que estar atento a algo que talvez não tenha sido observado antes, a um ângulo diferente de uma situação, as várias versões que um mesmo fato ganha e a sensibilidade de quem está envolvido no acontecido. No meu caso, acredito que esse olhar é um ponto de partida para criar histórias, aliado a observação constante de hábitos, modos, referências e experiências pessoais, entre outros.
Em “A Visita”, as inúmeras histórias de ataques a homossexuais e a intolerância, muito presentes nos noticiários, serviram para dar base a história.

Lara Morais: Quando ele escreve algo, quais são as expectativas como criador??
Alex: Muitas vezes me coloco no lugar de quem está lendo, tento me aproximar de como leitor vai receber aquilo que estou criando, e como aquilo poder se aproximar do real, do que o leitor vive ou conhece. Tento fugir do comum, das alternativas já conhecidas, tento oferecer algo diferente e que também crie uma simpatia com quem está lendo. Fico feliz quando recebo uma mensagem de um leitor dizendo que se emocionou com “A Visita”, que gostou de algum personagem em específico, pois ele agiu de uma forma inesperada ou é parecido com uma pessoal da vida real. Nesse livro, há muita intuição e sentimento. Minha expectativa como criador é confiar naquilo que estou escrevendo e tentar me surpreender também.

Lara Morais: Pelo menos nesse livro o público destinado no seu livro é bem especifico, não? É intencional??
Alex: Não acredito que seja para um público específico por conta da temática gay. Muitos heterossexuais se aproximaram do livro por conta da história de amor, pelo fato dos personagens lutarem por um sentimento que acreditam e, também, pela curiosidade sobre o assunto. Costumo dizer que o livro não vem levantar algum tipo de bandeira, mas provocar uma reflexão sobre o quanto nos afastamos das pessoas, seja em uma relação afetiva ou até mesmo de amizade, só por que elas não compartilham das nossas ideias. “A Visita” pergunta por que gostamos tanto de colocar um ponto final em tudo. E a configuração de um casal gay como história central seria muito proveitosa para essa discussão. Mas essa também podia ser a história de um casal heterossexual.


Rodrigo Ferraz: Quando você cria seus personagens, você os imagina com características físicas detalhadas?
Alex: É muito engraçado esse processo, pois, quando comecei a escrever para teatro, em 1999, a criação dos personagens era pensada para determinados atores. Com o passar dos anos, comecei a trabalhar essa questão do criar um personagem que não tem o rosto de um ator em específico, mas que tenha suas características próprias. Assim, o físico ficou sim mais detalhado, mas não me prendo a ele. O interessante de um personagem está também em suas características psicológicas, seus valores, o que ele tem a oferecer para o mundo como pessoa. O personagem Cadu, de “A Visita”, teve seu visual inspirado no bailarino Netto Soares, da cantora Wanessa, que tem um topete alto e loiro e todas as outras características físicas do personagem. Em uma primeira montagem, surgiu a ideia de termos um Cadu moreno, com uma presença física mais latina. A essência do personagem prevaleceu.

Lara Morais: É verdade que “A Visita”, vai virar teatro? O que você faz nessas horas de adaptação??
Alex: “A Visita” foi primeiramente criada para ser um espetáculo, tanto que o texto é em formato para teatro. Já demos início ao projeto para a montagem. Antes disso, pensamos em aproximar o público da história com a publicação do texto em formato de livro. E estamos muito felizes com o retorno e com a vontade do público de ver esse texto no palco. Como o livro tem uma ligação direta com quem lê, pois propõe que a pessoa leia as falas do personagem, convidamos alguns atores para a experiência de uma leitura encenada, onde eles vão viver os personagens que mais gostaram no livro. Essa encenação acontece no final desse mês. Para essa leitura, há uma adaptação do texto, com um final diferente, mas aí já é surpresa (rs!).

Rodrigo Ferraz: Quais são as pessoas que você mais admira na literatura, teatro e jornalismo??!
Alex: Na literatura, admiro Machado de Assis, Eça de Queiroz, Dan Brown e Alan Hollinghurst, autor do meu livro favorito, “A Linha da Beleza”. No teatro, admiro a sensibilidade do Felipe Hirsch. Já no jornalismo, gosto do trabalho do Lira Neto e do Ruy Castro.

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