quinta-feira, 31 de julho de 2014

ENTREVISTA EXCLUSIVA com Rui Vilhena, autor da próxima novela das seis "Boogie Oogie"



Pela primeiríssima vez aqui no Cabide, temos a honra de entrevistar Rui Vilhena, autor da próxima novela das seis "Boogie Oogie". Engana-se quem pensa que essa é a primeira novela do autor, Rui já escreveu algumas novelas de sucesso em Portugal, como "Ninguém Como Tu" (2005), "Tempo de Viver" (2006) e "Olhos Nos Olhos" (2008). Em 2011 colaborou com Aguinaldo Silva na novela "Fina Estampa" e agora estreia sua primeira novela solo na Rede Globo. A entrevista abaixo contou com a participação de Nilson Xavier, Vítor de Oliveira e mais alguns blogueiros e twitteiros convidados. Nela o autor fala sobre sua carreira, sobre a novela e curiosidades sobre a produção. Confira!


Fábio Dias: Qual é o tema e foco central de Boogie Oogie? O que podemos esperar da próxima novela das seis?
A novela segue a linha clássica dos grandes folhetins, apesar de ter uma estrutura mais atual. O ponto de partida do enredo é uma troca de bebês... um acontecimento, infelizmente, mais comum do que se imagina. A chamada da novela, define bem o DNA de como a trama será contada: prepare sua sala, a festa vai começar!

Fábio Dias: Tem pouco sobre você na internet, quem é o brasileiro Rui Vilhena?  Como chegou a escrever novelas em Portugal? Fale um pouco sobre trajetória e sua carreira profissional.
Depois de viver alguns anos em Los Angeles, onde estudei, decidi seguir para Portugal, onde fiz novelas, mini-séries, sitcoms...  Foi um início de carreira difícil, já que não conhecia ninguém da área.  Mas como sou perseverante e tenho uma paciência de Jó, os trabalhos foram acontecendo e, assim, minha carreira de autor foi subindo os degraus.

Fábio Dias: Em entrevista ao Aguinaldo Silva, você afirmou que queria trazer alguns colaboradores seus de Portugal. Realizou esse desejo? Quem são eles?
A Joana Jorge, que já trabalha comigo há muito tempo, e que no ano de 2013 concorreu ao Emmy com a novela Windeck, faz parte da equipe. Ela é o meu braço direito, esquerdo... Autora talentosíssima, só veio enriquecer o projeto. Difícil imaginar Boogie Oogie sem ela.  

Rui Vilhena com seus colaboradores.

Fábio Dias:  Nessa mesma entrevista ao Aguinaldo Silva você afirmou que tinha uma sinopse para às sete da noite. Essa sinopse é Boogie Oogie? Se sim, como foi  a adaptação para o horário das seis?
Não foi Boogie Oogie, mas essa outra sinopse ainda está amadurecendo na gaveta.

Júnior Bueno: Em Boogie Oogie a ditadura militar vai ser abordada? Se não, por que? Se sim, como será abordado na trama?
A proposta da novela é retratar a alegria vivida nos anos 70. Não caberia no horário das seis tratar desse tema que exige, na minha opinião, uma abordagem mais profunda. Haverá uma pequena pincelada, pois é impossível ignorar, já que a história se passa em 1978. Mas a questão política não será aprofundada na trama.

Júnior Bueno: A época escolhida para a ambientação vai influir na trama? Os anos 70 de Boogie Oogie serão retratados de que maneira?
Claro que sim. Numa época em que não havia celular, internet e a rapidez das informações, certamente tudo isso irá afetar a forma como a história será contada.

Com Aguinaldo Silva 

Rodrigo Ferraz: Todo brasileiro é considerado técnico de futebol ou escritor de novela. O publico é muito exigente, já viu muita novela boa. Qual a expectativa em escrever para esse publico? Você acredita que o publico brasileiro é muito diferente do português?
O que o público quer e gosta é de uma boa história. Tanto faz ser espanhol, português ou brasileiro. O importante é a maneira como a trama se desenrola, os diálogos são escritos. As pessoas querem ser surpreendidas, se emocionar. É isso que elas vão encontrar em Boogie Oogie.

Rodrigo Ferraz: O ano escolhido é o ano que passou Dancin Days. Foi intencional? A novela vai ser citada?
O ano de 78 foi escolhido porque a discoteca estava no auge... Os Embalos de Sábado a Noite no cinema, Dancin’ Days na televisão e as meias de lurex pelas ruas.  

Rodrigo Ferraz: Como foi a escolha do elenco? Que atores brasileiros que você queria trabalhar e vai conseguir, quais que você ainda pretende?
Boogie Oggie tem um elenco de luxo. Um coquetel de talento e beleza. 

Fábio Dias: Recentemente a Rede Record exibiu a novela Pecado Mortal também ambientada nos anos 70. Já saiu na mídia até matérias comentando as semelhanças entre as tramas. Chegou assistir? Houve alguma orientação da Rede Globo em evitar repetir algum assunto tratado na trama da outra emissora? Há quanto tempo escreveu a sinopse de Boogie Oogie?
A sinopse de Boogie Oogie foi escrita no início de 2013.  Não sabia nada sobre a novela do Lombardi. Tirando o fato de que ambas as tramas se passam nos anos 70 não vejo mais nenhuma semelhança. A não ser a maneira como tratamos as emoções, com uma dose de humor, profundidade... Mas cada um tem a sua história para contar. Somos mentes criadoras.  


PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Nilson Xavier
Crítico do UOL e colunista do Viva

Nilson Xavier: Acredito que uma grande referência para "Boogie-Oogie" seja a novela "Dancin´ Days", atualmente em reprise no canal Viva. Você a acompanhou quando passou em Portugal? Por que a escolha deste período (segunda metade dos anos 1970, que referencia a "era disco") para ambientar a história de sua novela? Alguma razão estratégica ou mercadológica, sua ou da Globo?
Quando Dancin’ Days’ estreou, em 1978, eu morava em Niterói e tinha 17 anos. Lembro-me que era aficionado pela novela. A trama, os diálogos, tudo parecia real demais. Trinta anos depois, ao escrever a sinopse de Boogie Oogie pensei em retratar essa época que eu vivi intensamente.

Nilson Xavier: Você já morou no Brasil antes. Sente-se familiarizado o suficiente para enfocar uma trama neste período, tão distante do atual do povo brasileiro, em termos socioculturais (linguajar, moda, hábitos, cultura). Ou tem alguma assessoria para isso?
Quando a minha família chegou no Brasil em 1964, eu tinha dois anos.  Todas as minhas memórias são daqui. Vivi a minha infância e adolescência em Niterói. Daí me sentir à vontade para falar dos anos 70. Tenho uma pesquisadora que ajuda bastante quando surge alguma dúvida. Outro dia estava escrevendo uma cena e não me lembrava se já havia ou não micro-ondas. São pequenos detalhes, mas como eu gosto de ser fiel, nada pode escapar.   

Vítor de Oliveira
Roteirista da Rede Globo, colaborou com O Astro e agora é colaborador da próxima novela das sete Lady Marizete

Vítor de Oliveira: Quais os desafios de se escrever telenovela em tempos de novas mídias, como as redes sociais? Na sua opinião porque a telenovela continua sendo o produto mais assistido do país?
As redes sociais são importantes para a divulgação/promoção do produto. Mas a novela, apesar de hoje ter cenas mais ritmadas, diálogos mais curtos, e outras diferenças do passado, permanece na sua essência, como folhetim, a mesma. A ópera permanece. 


BLOGUEIROS E TWITTEIROS convidados

Daniel Couri (Blog "Porcos elefantes e doninhas")Qual a lembrança mais marcante que você tem dos anos 70 e das discotecas? Quais foram suas principais inspirações?
As minhas lembranças são as madrugadas ao som de Donna Summer na pista e os dias na praia para saber quem dormiu com quem na noite anterior. Tive a sorte de viver em 1978, sem o fantasma da AIDS, a violência de hoje... Claro que existiam algumas dificuldades, mas também havia esperança. Todo mundo acreditava que o Brasil era o país do futuro. 

Lucas Andrade (Blog Cascudeando)Me chamou atenção no elenco da sua novela "Tempo de viver" a presença das atrizes Joana Solnado (que integrou o elenco de "Como uma onda" da Rede Globo) e Maria João Bastos (que integrou o elenco de "O clone" e "Sabor da paixão" da Rede Globo). Maria João Bastos, inclusive, foi uma das protagonistas da série "Equador", adaptação do romance homônimo de Miguel Sousa Tavares. Paulo Rocha atualmente integra o elenco de "Império" e Ricardo Pereira já participou de inúmeras novelas aqui no Brasil. Você já escreveu várias novelas em Portugal e agora escreve a próxima novela das seis da Rede Globo, "Boogie Oogie". Aguinaldo Silva já fez a supervisão de texto da novela portuguesa "Laços de sangue", vencedora do Emmy. A SIC transmite há vários anos as novelas produzidas aqui no Brasil. Diante disto, qual é a sua visão sobre esse intercâmbio que aproxima cada vez mais a dramaturgia brasileira e portuguesa? Pretende contar com atores portugueses em futuras produções?
Claro que a língua nos aproxima. Nada mais natural. Qualquer forma de intercâmbio, troca de conhecimento, experiência sempre somam. O problema do mundo hoje em dia, é esse falta de convivência. Cada um com a sua verdade, o seu desconhecimento, as suas limitações... O convívio, as viagens, são um grande trunfo para se combater a ignorância. A Maria João Bastos, o Eduardo Gaspar já fazem parte do elenco de Boogie Oogie. São atores que vieram de Portugal... quem sabe mais alguém cruze o oceano.



Ivan Gomes (@ivangomesz): Como é a sua relação com as novelas brasileiras? Quais novelas daqui você mais curtiu?
Vejo novelas desde que me entendo como gente. Sou do tempo em que a família ficava toda na sala reunida em frente a televisão, preto e branco claro, assistindo novela. Escolher as que eu mais curti é uma missão impossível. Foram muitas... Tieta, Bem Amado, Casarão, Vale Tudo, a lista é extensa.     

Fábio Maksymczuk (Blog Fábio TV): Qual é a principal diferença entre escrever uma novela para telespectadores de Portugal e do Brasil?
Não vejo muitas diferenças. A indústria da novela em Portugal foi construída em cima do modelo brasileiro. A novela lá, assim como aqui, é um produto de massas. A trama tem que ser construída para agradar a avó e o netinho, a patroa e a empregada... De Norte a Sul a novela é o programa de maior audiência na televisão portuguesa.

Diogo Calvalcante (@diogo_cc): No Brasil existe a classificação indicativa, apontada por uns como censura e por outros como recurso de proteção à menores. O senhor teme que precise alterar o rumo de alguma parte da novela por causa do horário? Como está lidando com isso?
Já escrevo com essa preocupação. Não adianta “viajar”. Se a novela é para o horário das seis, você tem que criar respeitando aquele público. Há crianças vendo televisão nesse horário. A responsabilidade é grande. Mas não sinto que isso prejudique a minha capacidade criativa. É mais que possível contar uma boa história sem sexo, drogas e Rock’n’ Roll.

André Santana (Blog Tele-Visão): O senhor está em seu segundo trabalho na Globo, o primeiro como titular. O que vem depois? Continuará aqui? Pretende voltar à TV portuguesa?
Não gosto de fazer planos a longo prazo para a minha vida profissional. Estou muito feliz na Globo... e tendo a oportunidade de trabalhar na minha primeira novela solo, com o Ricardo Waddington, é o dobro do prazer. Sou um profundo admirador do seu trabalho. Neste momento, minha vida é dedicada desde a hora que acordo até o momento de contar carneirinhos, a Boogie Oogie. O mais para a frente, ainda tá muito longe... 

Com o diretor Ricardo Waddington na coletiva de imprensa de Boogie Oogie

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