quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Leo Rosa, um profissional das artes em entrevista saborosa

Por Rodrigo Ferraz


O grande público conheceu nosso entrevistado em "Vidas Opostas", ele estava estreando nas telinhas como o protagonista Miguel. Mas ele não começou a carreira assim não, depois de muitas novelas, alguns filmes e peças; hoje ele é um ator consagrado que a cada trabalho que passa demonstra mais talento. Na entrevista a seguir, você conhecerá mais da carreira do ator e do profissional das artes: Leo Rosa. 

Do menino que nasceu em Porto Alegre até o Miguel de Vidas Opostas, como se descobriu ator? Como foram as primeiras experiências?
No palco...entrei na companhia do Bemvindo Sequeira e fiz uma peça com o Hamilton Vaz Pereira, após a minha chegada no Rio...nem cheguei a fazer cursos de teatro. Mas lembro que o que me despertou para este ofício foi ver todos os dias na rua dos Andradas, em Porto Alegre, um homem que fazia um número para vender um apito que imitava o som de um gato bravo...chamávamos ele de Homem do Gato...  Ele fazia uma espécie de luta com "bicho", que era de brinquedo e ficava dentro de um saco de estopa, e o número servia pra entreter a plateia e fazê-la comprar, pensando que poderia fazer a brincadeira em casa, assustar os amigos, enfim...a sua capacidade de nos fazer acreditar no animal ali dentro, sua empatia com o Público e o domínio que ele tinha da plateia, me fizeram pensar: acho que é isso que eu quero ser: quero ser Alguém que tem essa capacidade de alegrar as pessoas. É nessa busca eu sigo, ainda absolutamente fã destes grandes artistas de rua. Depois fui fazer teatro com Amir Haddad, mestre do teatro de Rua. E é destas grandes figuras que me alimento.

(Com Leticia Spiller em Bodas de Sangue)

Falando no Amir... Você esteve no elenco de uma das montagens mais inesquecíveis que presenciei, "Bodas de Sangue" de Federico Garcia Lorca, com direção do Amir Haddad... Como foi participar dessa montagem?
Um processo sonho... 8 meses de ensaios... Nenhum ator tinha personagem... Eram 30 atores. Faltando 10 dias para a estréia ele diz: você faz esse, você aquele, e você aquele outro, colocou atores pra revezarem personagens, ou seja uma aula de coletividade, relação com o todo, com o espaço... Num palco desconstruído, arena, os atores tendo que se expressar com todo o seu potencial físico, vocal e emocional. Uma segurança de trupe de teatro... Recebíamos a plateia de nós mesmos, sem personagem ainda... Uma delicia... Amir é o meu maior mestre em teatro, tenho frases dele na memória, que uso sempre em trabalhos... "O melhor ator é aquele que leva menos tempo entre o impulso e a realização". "O Teatro Salva", "O Teatro Cura". Meu Mestre! Saudade do velho!!

(Com Lidi Lisboa e Pedro Lemos em Bruta Flor)
Falando em teatro, você voltará em cartaz com "Bruta Flor", a peça é divulgada como uma obra LGBT. O que ela tem de diferente das várias que já tiveram essa temática?
Olha...não sei o que ela tem de diferente de outras. Sei do que ela trata, e do como a direção e nós atores conduzimos o tema. É uma história de amor. Um amor que já existe no dia a dia do meu personagem, que é a sua relação com a mulher dele (Simone) e um reencontro inesperado com um antigo amigo de juventude (Miguel), que desperta nele uma desejo enorme de reviver uma experiência que ele teve mais jovem. Temos um cuidado enorme para abordar a história da forma mais orgânica possível. Sem vestir bandeiras de causa alguma, sem criar rótulos para a sexualidade das personagens. O que agrava o conflito do Lucas, meu personagem, é que ele tem uma mentalidade absolutamente preconceituosa. E passa a lidar dentro de si mesmo com todos estes fantasmas: valores morais, valores sociais arraigados desde a criação em relação à virilidade, masculinidade e conceitos machistas, enfim um abismo de queda ao se ver desejando tudo o que abomina. 

Entendi! Soube que a primeira cena é você nu... Como foi o preparo para essa cena? Como está sua expectativa para fazer nos palcos??
Tem cena de nú sim...mas não é a primeira...dá tempo de se acostumar com o público até lá (risos). A cena é uma cena forte, com dois homens se entregando ao desejo, cena intensa... Mas muito cuidada, coreografada, tecnicamente cheia de detalhes... ou seja: mais uma cena da peça (mais risos)!


Leo, e suas experiências por trás das câmeras, conte do clipe que você dirigiu e das assistências de direção...
Cara... Fiz sim alguns trabalhos... Estive próximo do Caio Sóh nos 3 primeiros longas metragens dele, dirigi um clipe da Maria Gadu e tenho escrito, com a esperança de logo transformar em teatro... mas honestamente, estou agora tomando como prioridade minha carreira de ator... Até porque é ela quem me possibilita exercitar outras expressões da arte. Mas sem dúvida, mais à frente, com a carreira de ator mais encaminhada, penso em voltar a exercitar este olhar de fora em obras como diretor e como autor, quem sabe até trabalhando como ator nestes projetos. Tenho uma peça que estou escrevendo que quero fazer como ator ano que vem, é um monólogo...vamos ver...

Você está no ar na reprise de "Amor & Intrigas" e na inédita "Escrava Mãe" (inédita porém gravada), você está acompanhando? Caso sim, qual a diferença de ver uma reprise e um trabalho inédito depois de ter gravado?
Amor e intrigas é meu segundo trabalho em TV... Tinha 24 anos... Não tenho conseguido acompanhar pelo horário, mas muita gente tem me falado sobre ela. É uma boa memória, de um tempo em que as coisas eram mais jovens (risos). Mas em relação a Escrava Mãe, vai fazer um ano que parei de gravar em novembro... Então parece um pouco como o processo de um filme. Depois que você já fez tudo, já desapegou da personagem, já está em outro trabalho, surge aqui já realizado na tela. E você não pode mudar mais nada. Então você assiste como público... Mas confesso que tenho dificuldade, não vejo meus trabalhos, Escrava mãe ainda vejo algumas coisas, mas principalmente dos colegas... É uma maneira que encontrei que não sofrer com as escolhas que fiz em cena...ou não fiz (risos).

(Em Escrava Mãe)
Para finalizar vamos falar de "Por trás do Céu", filme do Caio Soh. Está tendo uma acolhida em vários festivais, nele você atua além de estar atrás das câmeras... Conte como é seu personagem nele...
É uma fábula do sertão... uma história densa, triste. Mas de superação e sonho. Aparecida (Nathalia Dill) vive isolada numa casa no meio do nada, escondida junto do marido Edivaldo (Emilio Orciollo Netto), depois que eles sofrem nas mãos de "PATRÃO", meu personagem, um senhor de terras bonachão, mas que acaba com a vida deles. A partir daí, aparecida convive com o trauma, mas segue com esperança  enquanto Edivaldo tenta se vingar. Faço o vilão da trama. Um personagem cheio de nuances, que o Caio carinhosamente me ofereceu, já na reta final antes da filmagem, lá no Cariri (Paraíba), quando eu ainda era assistente de direção no projeto. A partir dali tudo se revirou dentro de mim... tinha um desafio imenso pra vestir em poucos dias, e fui tratar de dar conta dele, além de outras mil coisas a resolver na função de assistente


P.S.: Ele já teve um perfil aqui, quem quiser ver é só clicar aqui


Sobre o entrevistador

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