sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sob o Telhado de Zinco Quente‏

Por Rodrigo Ferraz


Fase boa para os fãs do dramaturgo Tennessee Wiliams, não bastasse a ótima montagem de "O Bonde Chamado Desejo" com encenação de Rafael Gomes e Blanche com Antunes Filho dirigindo, ambas baseadas no mesmo texto do dramaturgo, outro grande clássico do autor está em cartaz: "Gata em Telhado de Zinco Quente". Cabe a Eduardo Tolentino de Araujo, do Grupo Tapa, a responsabilidade de dirigir, e como responsável por encenações clássicas ele honra sua tradição e mais uma vez trabalha com atores com quem ele já trabalhou.


Barbara Paz, a protagonista foi uma das primeiras atrizes que eu vi em uma peça adulta, foi em "A Importância de ser Fiel", baseado no original de Oscar Wilde, com direção do mesmo Tolentino, a sintonia fina que o diretor tem com seu elenco faz a peça ter como grande trunfo suas atuações. Paz está afinada, precisa, nos primeiros momentos a personagem aparentemente é desequilibrada, na parte final vemos como uma das personagens mais sensatas,  e a atriz defende com unhas e dentes. 

Augusto Zacchi segura bem seu perturbado Brick. Em tempos de tolerância X intolerância seu personagem merece ser analisado sob vários ângulos. André Garolli, Noemi Marinho e Fernanda Viacava seguram bem seus personagens, mas a atuação mais vigorosa e inesquecível fica a cargo de ZéCarlos Machado, o ator está pleno, firme, emocionante, convence demais, o personagem um tanto quanto grosseiro é mais tolerante do que se imagina.


A cenografia e o figurino deixando a peça ambientada nos anos 50 nos Estados Unidos [e hiper realista. O cenário tem momentos com espelhos evidentes, que deixa você mais cúmplice daquela atormentada família, além de dar um aspecto claustrofóbico. A sonoplastia é marcante também, e o que se faz com a fumaça em cena também ficará marcado na minha memória. Aviso aos navegantes que a peça em cartaz no CCBB paulistano, possivelmente rodará os outros centros culturais, com ingressos populares. A peça é imperdível, apesar de algumas serem cenas dilatadas, deixando a um pouco maior que poderia ser, apesar disso, não diminui a qualidade do espetáculo. Esse foi um dos melhores que vi nesse ano. Eu se fosse você não perderia a chance de ver...

SERVIÇO
De quarta a sábado às 20h e domingo às 19h. 
Ingressos: R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia)
Centro Cultural Banco do Brasil.


Fotos: Ronaldo Gutierrez

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